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Da revisita ao passado ao fenômeno da moda afetiva: quando as joias voltam a contar histórias

Vivemos um momento histórico em que a moda revisita o passado e o consumo passa por uma reorganização, na qual as peças voltam a ser escolhidas pelo apego afetivo e pelo significado que carregam, indo além da estética visual. Looks compostos por joias de família, peças tradicionais, relicários, acessórios religiosos, itens afetivos e joias gravadas com datas, nomes ou símbolos voltam a ganhar espaço, marcando a personalidade de quem as escolhe.

Cada vez mais, as pessoas têm escolhido seus acessórios pensando na personalidade e na marca pessoal que representam, transformando essas peças em histórias carregadas pelo próprio corpo.

Outro movimento que retorna com força é a personalização. Embora nunca tenha desaparecido definitivamente, sua utilização parece ter ganhado um novo significado. Em uma era marcada pelo luxo, pelas tendências passageiras e pelas grandes grifes, a personalização passa a representar pertencimento, identidade e estilo próprio, valorizando uma produção afetiva, autoral e pensada para cada perfil.

Especialistas comentam esse comportamento

Para Lívia Barbosa, referência em estudos da cultura do consumo, o valor simbólico dos objetos sempre fez parte das relações humanas, mas ganha ainda mais força em períodos de transformação social.

“Os bens não servem apenas para atender necessidades práticas; eles também comunicam identidade, pertencimento e histórias pessoais.”

Nesse contexto, as joias deixam de ser apenas itens de luxo para se tornarem registros materiais da memória.

Segundo o historiador da moda João Braga, a joia sempre foi um elemento de comunicação e identidade. Para ele, em momentos de mudança social, as pessoas tendem a valorizar objetos que expressem autenticidade e contem histórias, fazendo com que o significado da peça seja tão importante quanto sua beleza.

Da revisita ao passado ao fenômeno da moda afetiva

Essa mudança revela uma transformação no comportamento do consumidor. Estudos recentes mostram que fatores como identidade, valor sentimental e sustentabilidade estão entre os principais elementos que influenciam as decisões de compra. O fenômeno parece ser ainda mais presente entre os consumidores mais jovens, que demonstram maior interesse por peças duráveis, capazes de atravessar gerações e preservar histórias.

Não por acaso, os charms voltaram a ocupar espaço nas coleções de diferentes marcas. A possibilidade de personalizar cada acessório faz com que ele deixe de ser apenas um complemento do visual para representar momentos, conquistas, pessoas e lembranças importantes.

A valorização da história e do durável

Mudando o rumo esperado por muitos anos na indústria da moda, joias que podem ser passadas de geração em geração, com detalhes específicos, símbolos pessoais, referências profissionais, familiares, nomes ou momentos marcantes, passaram a ser priorizadas nas escolhas de consumo.

O acessório deixou de ser apenas um elemento visual e passou a funcionar como uma recordação silenciosa, capaz de preservar memórias e transmitir identidade.

Mais do que acompanhar tendências, a moda também pode contar histórias. As joias afetivas mostram que algumas peças ultrapassam o tempo, carregando consigo sentimentos, lembranças e significados que permanecem vivos em cada geração.

Fontes de pesquisa:  BARBOSA, Lívia. Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Zahar, 2004/ BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin (orgs.). Cultura, Consumo e Identidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006 / Bain & Company. Luxury Goods Worldwide Market Study. (edição mais recente) / McKinsey & Company. The State of Fashion. (edição mais recente)/ Journal of Retailing and Consumer Services. Estudos sobre comportamento do consumidor e valor emocional de produtos de luxo / Deloitte Insights. Relatórios sobre consumo e personalização / Euromonitor International. Estudos sobre comportamento do consumidor e tendências de consumo consciente.

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Escrito por Talita Motta I Editado por Ana Carolina Gomes 

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