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Como a Copenhagen Fashion Week SS27 aponta novos caminhos para o mercado da moda?

Especialista em negócios de moda, Symone Rech, analisou novas identidades nas passarelas da Copenhagen Fashion Week SS27, e a busca por composições que fogem de estéticas padronizadas e midiáticas.

Em primeiro lugar, desde a implementação de diretrizes relacionadas à sustentabilidade até mudanças em seu discurso sobre responsabilidade social, a Copenhagen Fashion Week se consolidou como um espaço de discussão sobre a importância de promover inspiração e criatividade por meio das passarelas.

Foto/Reprodução: Copenhagen Fashion Week SS27.

Durante a sua última edição, a temporada Primavera/Verão 2027 (SS27), realizada entre os dias 3 e 7 de agosto deste ano, a organização celebrou 20 anos de história. A programação destacou a presença de looks predominantemente brancos, a ascensão do styling e o enfraquecimento de estéticas predominantes, além de apostar em diferentes referências e combinações para a composição das peças.

Nesse contexto, Symone Rech, especialista em negócios de moda e fundadora da plataforma de pesquisa New & Now, explicou que os padrões construídos no mercado da moda funcionam como indicadores de possíveis movimentos futuros nas vitrines e nas plataformas digitais.

Outro ponto, durante a Copenhagen Fashion Week SS27, a especialista observou que “quando uma mesma lógica surge em diferentes coleções, ela deixa de ser uma coincidência e resulta em um sinal”.

Como o styling está ganhando espaço nas passarelas?

Então, uma dessas tendências está relacionada à Wrong Shoe Theory, conceito que ganhou espaço nos últimos meses ao propor a inclusão de um sapato inesperado para alterar a leitura de um visual. Para a especialista, durante a Copenhagen Fashion Week, essa lógica ultrapassou o calçado e alcançou a composição dos looks como um todo.

Durante a programação do dia 3 de agosto, alguns modelos carregaram ramos de flores posicionados em diferentes partes da cabeça e do tronco. O detalhe, combinado à composição principal, criou “deslocamentos visuais” e rompeu com a expectativa inicial sobre o look, prolongando a atenção sobre a produção. Nesse caso, o efeito não dependeu do excesso de elementos.

Foto/Reprodução: Copenhagen Fashion Week SS27.

Devido a isso, Rech analisou que não foi um produto específico que chamou a atenção, mas uma lógica de repetição presente em diferentes peças e produções. Segundo ela, o styling parece buscar uma escolha inesperada, capaz de fazer com que o olhar permaneça alguns segundos a mais sobre o look.

Além das modelagens, dos materiais e das cores, Symone destacou que a articulação desses elementos desempenha um papel central na construção da identidade de uma marca.

Foto/Reprodução: Copenhagen Fashion Week SS27.

Nesse sentido, a especialista também chamou a atenção para a presença marcante de produções inteiramente brancas. Infere-se que, para além da escolha clássica da cor, a redução da quantidade de informações visuais direciona o olhar para outros aspectos, como modelagem, textura, acabamento, qualidade da matéria-prima e construção das peças.

Então, a aposta poderá representar uma reação ao excesso de estímulos que marcou parte das tendências recentes.

Sendo assim, Rech avalia que algumas marcas passaram a valorizar o próprio produto como principal elemento visual, em vez de recorrer a estampas, contrastes intensos e sobreposições de diferentes referências.

Identidades próprias podem substituir estéticas prontas?

Symone apontou ainda um terceiro sinal: o enfraquecimento de estéticas facilmente identificáveis. Por conseguinte, nos últimos anos, termos como clean girl, quiet luxury, gorpcore, balletcore e mob wife aesthetic passaram a organizar parte do consumo em torno de universos visuais definidos.

Nas passarelas de Copenhagen, entretanto, a especialista observou composições menos comprometidas com a reprodução de uma única estética. Assim sendo, as coleções buscaram combinar diferentes referências, com o objetivo de construir linguagens próprias.

Foto/Reprodução: Copenhagen Fashion Week SS27/Instagram.

Visto que, esse movimento pôde ser observado nas apresentações do dia 3 de agosto, quando sobreposições de peças neutras resultaram em caimentos menos lineares na composição final dos looks.

Com essas mudanças, a pesquisa de tendências de moda tende a se tornar mais complexa. Diante do exposto, não basta identificar quais cores, tecidos ou silhuetas ganharão espaço: é necessário compreender de que maneira essas referências serão combinadas e adaptadas ao posicionamento, ao público e à realidade comercial de cada marca.

Foto/Reprodução: Copenhagen Fashion Week SS27.

A intersecção entre compromisso climático e o futuro do mercado da moda

Outro aspecto abordado durante a Copenhagen Fashion Week SS27 foi a relação entre sustentabilidade, compromisso climático e futuro da indústria da moda.

Com isso, no episódio do podcast oficial da Copenhagen Fashion Week SS27, transmitido pelo Spotify e intitulado ‘SS27 Designing the Future of Fashion: Colaboration, Innovation, and the Climate Pledge, foi discutido de que maneira a indústria da moda se relaciona com as mudanças climáticas e quais estratégias podem contribuir para a redução das emissões líquidas de carbono até 2040.

Igualmente, participaram da discussão a moderadora Sophia Li, jornalista premiada e defensora dos Direitos Humanos da ONU; Hillary Taymour, fundadora e diretora criativa da Collina Strada; Sally Fouts, diretora global da The Climate Pledge; e Emily Long, responsável pela área de parcerias de marca da Circ.

Foto/Reprodução: Episódio ‘SS27 Designing the Future of Fashion: Colaboration, Innovation, and the Climate Pledge’, no Spotify.

Dessa maneira, as participantes discutiram a importância da reciclagem na indústria têxtil, as diferenças entre os conceitos de circulação e downcycling, além do papel dos biomateriais inovadores no setor, entre outras questões relacionadas à sustentabilidade.

Sendo assim, para Sally Fouts, diretora global da The Climate Pledge, Copenhague possui “o programa de moda mais sustentável entre as semanas de moda do mundo”.

Quem é Symone Rech?

Na sequência, com mais de 30 anos de experiência na área, Symone Rech acompanha semanas de moda e feiras internacionais para traduzir movimentos globais para a indústria e o varejo brasileiros. Em suma, suas análises partem da observação de padrões que ainda não receberam uma denominação específica, mas começam a se repetir em diferentes marcas.

Foto/Reprodução: Symone Rech, diretora da plataforma de pesquisa de tendências New & Now.

Para ela, as próximas semanas de moda poderão confirmar ou enfraquecer os sinais observados em Copenhagen. Desse modo, acompanhar esses movimentos desde o surgimento poderá ajudar empresas e profissionais a compreender como determinados produtos poderão ganhar espaço e como os processos de criação e apresentação de uma coleção podem se transformar.

Para concluir, Rech afirmou que as tendências raramente surgem prontas. Por isso, elas começam como pequenos padrões: uma escolha aparece em uma marca e volta a surgir em outra. Diante isso, antes de uma tendência se consolidar, há uma sequência de sinais.

Assim, Symone Rech também é diretora da plataforma de pesquisa de tendências New & Now e consultora especializada em Negócios de Moda. Logo, é bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), especialista em Design Estratégico pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e em Economia Comportamental pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Serviço: New & e NowSymone Rech.

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Escrito por Isabelle Ferreira I Editado por Ana Carolina Gomes