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Oakley: quando performance vira cultura

Há cinquenta anos, um jovem que havia desistido do curso de farmácia vendia peças de motocicleta no porta-malas do próprio carro, durante eventos de motocross na Califórnia. Jim Jannard não tinha fábrica nem um grande plano de negócios. Tinha 300 dólares e um laboratório improvisado na garagem de casa.

Foi dali que nasceu a Oakley, nome escolhido em homenagem ao cachorro do fundador. O primeiro produto da empresa, curiosamente, não foi um óculos. Eram manoplas de guidão produzidas com um material aderente desenvolvido pelo próprio Jannard, que recebeu o nome de Unobtanium. Anos depois, o material passaria a ser usado também nas hastes e nos apoios nasais dos óculos da marca.

Foto: Behance – Rafaa

Os óculos de sol só entraram no radar da empresa quase uma década depois, quando Jannard percebeu que aquele mesmo material poderia ser aplicado em armações. A partir daí, a Oakley deixou de ser uma marca restrita ao universo do motocross e passou a ocupar espaço entre os principais nomes do design esportivo mundial. Com o tempo, sua presença também ultrapassaria o esporte.

Do asfalto para a rua

A transformação da Oakley, de equipamento técnico em símbolo de estilo, aconteceu em diferentes partes do mundo, mas no Brasil ganhou características próprias. Nos anos 2000, enquanto marcas tradicionais de surfwear como Rip Curl e Hurley perdiam espaço para o streetwear nos Estados Unidos, a Oakley encontrava outro caminho por aqui.

A marca se aproximou da cultura urbana, da periferia, do funk e da moda de rua antes mesmo de ser incorporada por circuitos mais tradicionais da moda. Aos poucos, os óculos deixaram de ser vistos apenas como acessórios esportivos e passaram a fazer parte de uma estética associada à identidade e ao pertencimento.

Essa leitura também aparece no discurso do comando global da marca. Caio Amato, presidente mundial da Oakley e nascido em Mococa, no interior de São Paulo, costuma relacionar esse fenômeno ao que aconteceu com o hip-hop nos Estados Unidos. Artistas que surgiram nas periferias passaram a influenciar diretamente a cultura e o mercado. No Brasil, a lógica segue um caminho parecido: a periferia não ocupa apenas um espaço de consumo, mas também cria tendências que chegam ao restante do país.

Hoje, o Brasil ocupa a posição de quarto maior mercado da Oakley no mundo. O dado ajuda a explicar por que o consumidor brasileiro passou a ter um papel cada vez mais importante nas decisões estratégicas da marca.

Nas ruas, essa relação é fácil de perceber. Das pistas de skate às comunidades, dos surfistas do litoral carioca aos DJs e criadores de conteúdo paulistanos, a Oakley circula por diferentes grupos e contextos. O que conecta esses universos é a forma como a marca passou a ser utilizada como expressão de identidade.

A lente que virou símbolo

Foto: Behance – Heroinc

Parte da reputação da Oakley também está ligada à tecnologia. A Prizm, uma de suas principais inovações, foi desenvolvida para melhorar o contraste e a percepção de detalhes em diferentes condições de luz. A proposta reforçou a ideia de que os produtos da marca não estavam ligados apenas à estética, mas também à performance.

Essa mesma lógica aparece no capítulo mais recente da empresa: a parceria com a Meta.

Em 2025, as duas marcas lançaram o Oakley Meta HSTN, o primeiro óculos inteligente da Meta fora da linha Ray-Ban. O modelo conta com câmera capaz de gravar vídeos em até 3K, bateria de até oito horas e recursos de inteligência artificial integrados ao equipamento. No Brasil, o produto chegou às lojas em outubro por R$ 3.459.

Meses depois, durante o Meta Connect 2025, Mark Zuckerberg apresentou o Oakley Meta Vanguard, desenvolvido com foco em atletas e atividades de alta intensidade. O lançamento reforça uma direção que a marca já vinha explorando há algum tempo: a aproximação entre equipamentos esportivos e tecnologia vestível.

Não é a primeira vez que a Oakley investe nesse tipo de inovação, mas a parceria com a Meta representa um novo momento para a empresa. Pela primeira vez, a marca combina sua experiência em performance esportiva com tecnologias de inteligência artificial e dispositivos conectados.

Uma marca que não segue tendência, cria uma

Cinquenta anos depois de começar em uma garagem na Califórnia, a Oakley construiu uma trajetória que vai muito além dos óculos esportivos. Seus produtos passaram por diferentes espaços e culturas, do motocross ao ciclismo, do skate ao surfe e, principalmente no Brasil, à cultura urbana.

A marca conseguiu transformar um produto técnico em algo que também comunica identidade. Agora, ao apostar em inteligência artificial e tecnologia vestível, inicia mais um capítulo dessa história.

Entre esporte, comportamento e inovação, a Oakley segue mudando de forma sem abandonar aquilo que ajudou a construir sua identidade desde o início: a ideia de criar produtos pensando no que ainda está por vir.

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Escrito por Caue Ferreira I Editado por Ana Carolina Gomes 

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