Pressão estética: A volta dos anos 2000 e o Efeito Ozempic
O resgate da estética Y2K e a febre do Ozempic expõem a exclusão nas grandes marcas e reacendem a obsessão pela magreza extrema.
Não é novidade para ninguém que a moda dos anos 2000 voltou. Essa tendência trouxe de volta a calça de cintura baixa e as minissaias, entre outras peças. No entanto, essa estética sempre foi voltada para corpos magros. Como consequência, esse retorno intensifica a pressão estética sobre corpos plus e mid size.
Hoje em dia, o cenário não é muito diferente. Essa cobrança infelizmente continua em alta e pessoas fora do “padrão” sofrem bastante. Afinal, a indústria da moda ainda prioriza a magreza. Por isso, tamanhos maiores raramente são encontrados em grandes lojas de departamento.
Como as grandes marcas geram pressão estética
Em um vídeo, a influenciadora Trixxie Mendes, de 27 anos, debate esse assunto. Ela comenta como é difícil encontrar diversidade para corpos mid e plus size. Além disso, ressalta que essa ausência de peças é facilmente perceptível no dia a dia. Trixxie conta que, em lojas de fast fashion, o maior número geralmente é o 46. Portanto, raramente essa numeração veste alguém que usa 48 ou 50, a menos que a peça seja do modelo oversized.
Ao olhar atentamente para marcas voltadas ao público teen, nota-se que elas também não possuem numerações para pessoas fora do padrão. O mesmo problema acontece nas marcas de outras influenciadoras. Decidi investigar isso mais a fundo e percebi que grandes redes compartilham desse cenário. Marcas como Zara, Renner, Riachuelo, Hering e Bershka, entre outras, não abrangem o público geral. Em suma, elas nicham seus produtos apenas para pessoas magras.

O “Efeito Ozempic” e a pressão estética da magreza química
Essa exclusão do mercado de moda não gera apenas frustração nas araras. Na verdade, ela alimenta um ciclo perigoso de cobrança. Diante de lojas que se recusam a vestir corpos reais e de uma internet que idolatra a estética milimetricamente magra dos anos 2000, muitas pessoas acabam recorrendo a medidas extremas para se encaixarem no padrão. É nesse cenário de vulnerabilidade que as canetas emagrecedoras ganharam força avassaladora.
Medicamentos como o Ozempic e o Mounjaro foram criados originalmente para o tratamento de condições médicas, como o diabetes e a obesidade severa. No entanto, essas substâncias foram transformadas pelo mercado estético no novo “segredo milagroso” para alcançar a magreza Y2K. O uso indiscriminado por pessoas que buscam apenas perder poucos quilos virou febre nas redes sociais e entre celebridades, criando uma illusions perigosa.

O impacto disso sobre os corpos plus e mid size é profundo. A popularização dessas canetas traz de volta a mensagem velada de que a gordura é um problema puramente de força de vontade que pode ser resolvido com uma aplicação semanal. Portanto, essa dinâmica resulta em uma forte pressão estética. Em vez de a indústria da moda evoluir e ampliar seus tamanhos para abraçar a diversidade, a cobrança social se inverte. Agora, exige-se que os corpos encolham, por meio da medicina e da química, para finalmente caberem nas roupas que o padrão dita.
O futuro da moda e a diversidade de corpos reais
O retorno dos anos 2000 prova que a moda é cíclica. Apesar disso, o movimento deixa um questionamento importante: até quando os padrões estéticos vão ignorar a diversidade de corpos que existe no mundo real?
Diante desse cenário, a verdadeira evolução da moda não dependerá do retorno de tendências passadas. Pelo contrário, ela dependerá da capacidade do mercado de finalmente se adaptar à pluralidade da sociedade. Enquanto a indústria insistir em ignorar o público plus e mid size, a internet continuará sendo o principal palco de resistência e nesse espaço, os criadores de conteúdo e consumidores ditam suas próprias regras. Assim, eles provam diariamente que o estilo não cabe em uma grade limitada de tamanhos.
Afinal, a beleza do mundo real está na diversidade das formas. Tentar encolher corpos para que eles caibam em padrões ultrapassados é um preço alto demais. Trata-se de um retrocesso doloroso a se pagar em nome da nostalgia.
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Escrito por Amanda Paganini I Editado por Ana Carolina Gomes

