Com Alex Consani, Anok Yai e modelos brasileiras, Michael Kors realiza seu desfile na NYFW
Na manhã do segundo dia da semana de moda de Nova York, Michael Kors levou sua coleção verão 2027 para o jardim externo do Museu de Arte Moderna (MoMA), dando sequência às celebrações dos 45 anos da grife, iniciadas na temporada passada com o desfile grandioso no Lincoln Center. Dessa vez, porém, o clima foi outro: no lugar do glamour histórico, Kors optou por um cenário sereno e intimista para apresentar uma coleção mais limpa e comercial.
Antes da passarela, o designer conversou com a imprensa e cravou uma frase e tanto sobre sua relação com a cidade: ele disse estar disposto a “içar a bandeira por essa cidade”. Kors contou que passou o verão viajando entre Paris, Londres e Los Angeles em busca de teatro, museus e inspiração, mas que sempre volta impressionado por Nova York — e foi justamente esse sentimento de reinvenção urbana, aliado ao fato de o desfile cair no aniversário de 25 anos do 11 de setembro (data que o próprio Kors, morador da região, lembra com intensidade), que guiou o conceito da coleção.
A curadoria de referências passou por Edie Sedgwick, a cantora e musa Nico, a icônica cadeira Wassily, e obras de artistas como Carmen Herrera, Matisse e Alexander Calder — um mood board declaradamente modernista, que ecoa a arquitetura de nomes como Mies van der Rohe e Marcel Breuer.
Essa inspiração se traduziu em elementos arquitetônicos nos acessórios: saltos angulares e escultóricos, joias circulares em couro e prata, e bolsas de formas geométricas que remetiam diretamente à arte moderna.
No guarda-roupa, a proposta foi o oposto do “mais é mais”: nada de vestidos de festa exagerados. Kors apostou em alfaiataria justa e reduzida, sobretudos enxutos e conjuntos de saia e blazer em tons Pop, como verde-quilha, misturados a vermelho-tomate e amarelo-sol em composições color block.



Os vestidos-tanque monocromáticos ganharam faixas coloridas que desciam pela cintura e flutuavam nas pernas, enquanto os looks mais dramáticos vieram em crepe com paetês derretidos à mão — incluindo um vestido preto justo e sensual com recortes curvos, que o próprio designer descreveu com humor como perfeito “para toda bebedora de martini do mundo”.
Completando o leque, vestidos e saias em formato balão e com flores de paetê 3D, contrastaram com bodysuits e cropped tops esportivos, gráficos e recortados, em parcerias de cashmere e couro. Sobre o resultado final, Kors resumiu o espírito da coleção como “otimismo chique” — deixando claro que, para ele, otimismo não precisa ser ingênuo: pode ser urbano, polido e ciente de que o mundo anda complicado.



Passarela com peso internacional
O casting reforçou o caráter cosmopolita do desfile. Alex Consani e Anok Yai estiveram entre os nomes de peso na passarela, exibindo desde alfaiataria seca até suéteres clássicos, saias midi e vestidos com recortes.
A presença de modelos brasileiras também chamou atenção — casas como a Michael Kors têm apostado recorrentemente em rostos do Brasil, e a expectativa em torno de nomes como Luiza Perote, hoje uma das modelos brasileiras mais requisitadas do circuito internacional, se confirmou mais uma vez.
A própria Luiza compartilhou em suas redes um recado escrito à mão por Kors antes de entrar na passarela, desejando que ela fosse “o centro das atenções” e tivesse “um ótimo desfile” — um gesto que reforça a proximidade do designer com o elenco de modelos que veste sua marca.


Front row lotado de famosos
Como de costume, o front row do desfile reuniu um time grande de celebridades. Betty Gilpin, recém-premiada no Emmy Criativo, esteve entre os nomes confirmados, ao lado de Olivia Munn, Gabrielle Union, Lea Michele — atual rosto de campanha da marca —, Jane Krakowski, Grace Van Patten, Danny Ramirez, Aaron Tveit, Judith Light, Kathryn Newton e Chloe Fineman, entre outros.
Gabrielle Union apostou em um look total vermelho, com vestido e sobretudo combinando, enquanto Lea Michele optou por um blazer e saia pretos, em um visual mais sóbrio. Olivia Munn enfrentou o calor de setembro com um trench coat de couro preto.





Paralelamente ao desfile, Kors aproveitou o momento para anunciar o lançamento de um novo perfil no Instagram dedicado à linha Michael Kors Collection (@michaelkorscollection), pensado para aproximar o público de suas viagens, referências e do lado mais luxuoso da marca.
O pano de fundo financeiro
Por trás da estética otimista, a Michael Kors atravessa um momento desafiador. Em agosto, a Capri Holdings — controladora da grife — divulgou balanço do primeiro trimestre fiscal de 2027 (abril a junho de 2026) apontando queda de 7,1% na receita na comparação anual, além do fechamento de 33 lojas nos últimos 12 meses, reduzindo a operação de varejo a 662 unidades no mundo todo.
Não à toa, a volta a uma estética mais comercial, pragmática e usável no dia a dia é lida por parte da imprensa especializada como uma resposta direta a esse cenário — um contraponto à extravagância celebrada na temporada anterior.
Ainda assim, o desfile confirmou o que a Michael Kors sabe fazer bem: transformar referências de arte e arquitetura em roupa vestível, com aquele toque glamouroso e levemente irônico que é a marca registrada do designer desde que ele começou, há 45 anos, com a missão de vestir a mulher americana moderna.
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Escrito por Murilo Bezerra I Editado por Ana Carolina Gomes


