Será que os adolescentes perderam a personalidade?
O aparecimento frequente de grandes tendências pode está relacionado a perca da autenticidade dos adolescentes.
Recentemente, iniciou-se um debate sobre a maneira que os adolescentes estão se vestindo. Para a maioria, eles seguem o que está em alta, utilizam o mesmo estilo e possuem uma personalidade idêntica em alguns casos. Muitas pessoas atribuíram a causa desse fenônemo às redes sociais, nas quais muitos adolescentes, entre 14 e 17 anos, se tornaram famosos e ganharam bastante seguidor. Contudo, é válido ressaltar que, desde antes da existência das redes sociais, as pessoas nessa faixa etária acabavam seguindo tendências que surgiam ao longo do tempo.
Podemos voltar para os anos 2000 e analisar: o que estava em alta naquele momento? E o que as celebridades usavam na época? Calças de cintura baixa, cabelos coloridos, looks com muito brilho e acessórios bem chamativos. Até meados de 2010, o que ditava as tendências eram as revistas e a televisão. Porém, não podemos deixar de perceber que, mesmo os adolescentes usando o que estava “na moda”, eles ainda eram autênticos e possuíam personalidade, além de que cada um se vestia de modo diferente. Então, o que está sendo discutido sobre a falta de personalidade é real?

Adolescentes e a construção da identidade
De acordo com a psicológa Karen Duran, a adolescência é um período de intensas mudanças biológicas, psicológicas e sociais, marcado também por uma maior sensibilidade à opinião e à aceitação dos pares. “É uma fase de descobertas e de construção da identidade. Por isso, quando vemos adolescentes com roupas, músicas ou gostos muito semelhantes, não significa necessariamente falta de personalidade. Eles estão experimentando referências e descobrindo quem são, e a influência do grupo sempre fez parte desse processo”, afirma.
Crescer em meio às telas é um dos maiores desafios dessa nova geração. Ficou ainda mais difícil definir o que gosta ou não, já que sempre tem alguém por trás de um aparelho, de certa forma, “determinando” o que é ou não é legal no momento. Karen reforça essa ideia: “O adolescente é constantemente exposto ao que está na moda, ao que é considerado bonito, popular ou desejável, o que pode favorecer a reprodução de determinados estilos e comportamentos. Mais do que falar em “falta de personalidade ou referência”, eu diria que estamos diante de uma combinação entre construção da identidade, influência dos pares e uma exposição muito maior às referências sociais proporcionada pelas redes”.

Tendências e comparação social
Outra questão levantada nessa discussão, são as estéticas que estão em alta atualmente. Estilos como old money ou clean girl, são bastante utilizados por adolescentes da alta classe, que vivem viajando e gastando muito dinheiro. Devido a isso, podem surgir a comparação e a busca por estar naquele padrão, bem como a necessidade de usar o mesmo estilo que os “famosinhos do TikTok“.
Karen concorda com essa afirmação: “As redes sociais ampliam muito a comparação social e, na adolescência, existe uma maior necessidade de pertencimento e aceitação pelos pares. Quando adolescentes são expostos constantemente a influenciadores que representam determinados estilos de vida, como o “clean girl” ou “old money”, pode surgir o desejo de se aproximar daquele grupo e daquele padrão. Mesmo quando não possuem as mesmas condições financeiras, consumir determinados produtos, roupas ou adotar aquela estética pode funcionar como uma forma de se aproximar simbolicamente desse universo”.

O importante é ser você mesmo!
Diferentemente do que ditam as tendências, ninguém precisa seguir os mesmos padrões. Acompanhar o que está em alta é válido, e até cria-se um senso de comunidade, porém é possível fazer isso sem perder a autenticidade. “Sempre fomos e seremos influenciados, independentemente da época. Usar uma tendência ou adotar um estilo não significa falta de personalidade, desde que você saiba exatamente quem é. Seu estilo não define a sua essência exatamente”, disse uma respondente anônima de uma pesquisa realizada sobre o tema.
Para Karen, a adolescência também envolve tanto o desejo de pertencer quanto o de se diferenciar e construir uma identidade própria. E é exatamente isso! Mesmo estando por dentro das trends do momento, ser você mesmo ainda é o mais importante. Além disso, não se pode perder a sua essência e ter uma personalidade própria é mais interessante do que qualquer padrão pré-estabelecido pelas redes.
Assim afirma uma outra respondente da pesquisa citada anteriormente: “seguir ou não seguir tendências não faz de ninguém autêntico ou igual a todos. Acho que todos nós somos extremamente influenciáveis. O importante é não deixar que essa tendência dite se você é bom, ruim, feio, bonito… que seja só mais uma ferramenta de teste do que você se sente bem (ou não) usando e performando”. Sua personalidade vem com o tempo e, apesar das tendências atuais serem extremamente parecidas, ter essas referências auxilia nessa construção.

Você quer saber mais sobre esses assuntos? Não deixe de conferir outros conteúdos disponíveis aqui no Fashionlismo e de ficar de olho nos próximos posts. Até mais!
Escrito por: Carla Emile | Editado por: Ana Carolina Gomes


