Princesa Diana e seu legado na moda
Como a Princesa Diana usava a moda como ferramenta de autoexpressão e comunicação?
Diana Frances Spencer nasceu em 1º de julho de 1961, na Inglaterra. Ela ficou mundialmente conhecida após se casar com o então príncipe Charles, visto que a sua família aristocrata tinha ligações com a monarquia britânica.
Carinhosamente chamada de Lady Di, a princesa foi apelidada de “princesa do povo”, pois conquistou as pessoas pelo seu carisma, sensibilidade e atuação em relação às causas humanitárias.

Além disso, Diana utilizava a moda como forma de comunicação e posicionamento, se tornando um dos maiores ícones do meio até os dias atuais.
Segundo a designer de Moda e consultora de Imagem e Coloração Pessoal, Sara Beatriz Pinheiro, a Princesa Diana foi um verdadeiro ‘divisor de águas’.
“Ela desmistificou a moda real e a transformou em um instrumento vivo de humanização e comunicação. Sob a ótica técnica e da consultoria, Diana provou que a moda não é fútil; é linguagem pura. Ela popularizou o color blocking, redefiniu a alfaiataria feminina e introduziu o athleisure (a mistura do esportivo com o casual) muito antes de virar tendência global. Além disso, deu visibilidade gigantesca a designers e mostrou que a roupa pode – e deve – acompanhar as transformações internas de uma mulher” — Declarou Sara.
“A roupa nunca a usava, era ela quem dominava a roupa”
As vestimentas de Diana eram para ela se expressar sem precisar usar a própria voz. Ao se tornar membro da família real, a princesa devia seguir as regras de comportamento da realeza, por isso utilizava a moda como forma de posicionamento. Um exemplo disso é que, enquanto ainda pertencia a família real, a princesa não podia usar a cor preta.
De acordo com o artigo da FFW, o uso do preto é tradicionalmente reservado para momentos de luto, sendo evitado no cotidiano em favor de tons vibrantes, estes que ajudam os membros da realeza a serem vistos facilmente pelo público. A moda é uma importante ferramenta de comunicação. Através dela, podemos informar o que sentimos e pensamos para o público.
Sara Beatriz afirma que a princesa Diana usava a roupa como um canal de intenção, afeto e posicionamento:
“Quando abria mão das luvas reais para tocar as pessoas em suas ações sociais, a mensagem era de acolhimento e proximidade, quebrando a frieza do protocolo”.

A designer de moda também diz que o estilo de Diana era um reflexo direto da sua evolução pessoal:
“Na Consultoria de Imagem, dizemos que o estilo autêntico vem de dentro para fora – e Diana viveu isso na pele. Sua personalidade irreverente, empática e corajosa traduzia-se na ousadia das misturas de cores (como o fúcsia com laranja e vermelho), nos cortes masculinos adaptados ao feminino e na liberdade de vestir um moletom oversized com a mesma naturalidade que vestia alta-costura”.
E finaliza:
“Havia uma verdade visceral na forma como ela se vestia; a roupa nunca a usava, era ela quem dominava a roupa”.
Princesa Diana: Entre a elegância e o casual
Em fevereiro de 1981, o noivado entre a princesa Diana e o príncipe Charles foi oficialmente anunciado. Na ocasião, a Lady Di apareceu na imprensa, ao lado do noivo, com um conjunto azul, lenço branco no pescoço e a aliança de safira e diamantes dada por ele.
O azul do conjunto contrastava com os olhos de Diana, além de transmitir a elegância que a realeza precisava naquele momento.

O casamento ocorreu no mês de julho do mesmo ano. A noiva, estonteante, utilizava um vestido de tafetá de seda e renda, de mangas bufantes e saias volumosas, com uma cauda de mais 7,5 metros e um véu feito com 140 metros de tule.
Os bordados, feitos à mão, do vestido possuíam madreperólas e 10 mil perólas, avaliado em R$ 1,7 milhão. Desenhado pelo ex-casal de estilistas, Elizabeth e David Emmanuel, o objetivo desse vestido era fazer com que Diana se parecesse uma princesa dos contos de fadas.

Uma característica marcante da princesa eram os vestidos de alta-costura. Entre cores claras e vibrantes e estampas de florais, xadrez e poá, Diana transmitia glamour e graciosidade.
A Lady Di conseguia transitar entre a elegância e o casual, combinando shorts de academia, moletons oversized e jeans, bem como utilizando calças, blazers, e até mesmo ternos, roupas ditas como “masculinas”, principalmente para uma mulher de sua época.
“Mas há uma leitura fundamental que não pode passar despercebida: a sua aposta nos ternos e na alfaiataria de corte masculino” — Diz Sara Beatriz.

“Em uma instituição ultra-conservadora que exigia vestidos românticos e postura submissa, Diana vestir um smoking ou um terno estruturado era uma manifestação direta contra o machismo da época. Ela transmitia que a mulher não precisa se encaixar em padrões rígidos de feminilidade para ter autoridade, presença e elegância”.

A liberdade de Lady Di
Diana começou a desafiar as regras da realeza logo cedo.
Segundo o artigo da FFW, após o anúncio do noivado e antes do casamento, em março de 1981, a princesa ignorou a regra não escrita e usou um vestido preto assinado pelos mesmos estilistas do casamento, em seu primeiro compromisso público oficial, um concerto beneficente.

Porém, a maior das proezas da Lady Di foi em 1994 – logo após a separação com o príncipe Charles – este que confessou na televisão que havia a traído com a então Duquesa Camilla.
O “revenge dress“, ou ‘vestido da vingança’, como foi batizado, é um vestido de chiffon preto, com as pernas à mostra e um decote de ombro a ombro, desafiando, novamente, as regras da realeza e significando o grito de independência da princesa.
Nesta ocasião, ao invés de Diana se esconder da mídia, ela resolveu aparecer e tomar o controle da situação. Sendo assim, o assunto se tornou a sua aparição e não o casamento arruinado.
Sara Beatriz declara que o que a conecta ao vestido é a mensagem:
“Foi o momento em que ela deu a volta por cima. Diana usou a moda para mostrar que a mulher tem seu lugar, tem voz, e que poder e vulnerabilidade podem caminhar juntos. Ela se recusou a ser vítima e reassumiu o controle da sua imagem”.

Antes, a princesa se vestia mais de acordo com os costumes da monarquia, mas, posterior a isso, as roupas de Diana passaram a ser livre das regras impostas pela realeza. E era o que ela pretendia comunicar ao público; em uma ocasião, ela apareceu com um slip dress de seda escura John Galliano para Dior no Met Gala em 1996.
A relação de Diana com a marca entrou para a história, visto que uma bolsa da grife, no modelo Chouchou, foi usada por ela. Como teve mais de 150 mil vendas no mundo inteiro em um ano, na edição seguinte o modelo foi batizado de Lady Dior em homenagem à princesa.

Uma mulher real
Infelizmente, a princesa Diana veio a falecer em 31 de agosto de 1997, aos 36 anos, após um acidente de carro em Paris, na França. Contudo, o seu legado, tanto na moda, quanto em suas ações, ficaram gravados na história.
A Lady Di foi uma personalidade marcante, sempre sendo lembrada nas redes sociais, nas notícias e na mídia — como a série The Crown, da Netflix.
Além de tudo isso, os seus looks são considerados atemporais, modernos e autênticos, assim sendo reproduzidos e mencionados por grandes nomes e entusiastas da moda atualmente. Não é a toa que a princesa Diana tinha conexão com as pessoas. Ela se diferenciava da realeza britânica (que se distanciava o máximo possível da população), sendo humilde, caridosa e, acima de tudo, humana.
Por isso a Lady é amada até os dias de hoje.
E como reitera Sara Beatriz:
“Seja num terno impecável ou num vestido ousado, Diana queria transmitir que era uma mulher real, ativa, dona da própria voz e do próprio destino, usando cada caimento, cor e estrutura como uma verdadeira armadura de autoexpressão”.
Você quer saber mais sobre esses assuntos? Não deixe de conferir outros conteúdos disponíveis aqui no Fashionlismo e de ficar de olho nos próximos posts. Até mais!
Escrito por: Carla Emile | Editado por: Alice Maria


