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Fantasia ou Realidade? Chanel apresenta coleção inspirada em contos de fadas na Alta Costura de Paris.

Intagram oficial da Chanel

Entre os dias 6 e 9 de julho de 2026, ocorreu um dos eventos mais aguardados do mundo da moda: a Semana de Alta Costura de Paris (outono/inverno 2026), contando com 30 grifes e a estreia de Pierpaolo Piccioli na Balenciaga e Duran Lantink na Jean Paul Gaultier. Foi na manhã de terça-feira, dia 7, que a Chanel, sob direção criativa de Matthieu Blazy, apresentou a sua mais nova e encantadora coleção para a temporada de inverno. Seu tema foi inspirado em fábulas clássicas, trazendo os encantos e as magias dos contos de fadas para a passarela. O desfile ocorreu no tradicional Grand Palais, em Paris.

Mas por que Blazy escolheu tal tema? Antes de responder, acho melhor contextualizar um pouco para entendermos melhor a visão do estilista.

Gabrielle “Coco” Chanel nasceu em 1883, na França, e teve uma infância difícil. Após a morte de sua mãe, foi abandonada pelo pai em um orfanato, onde aprendeu a costurar. Iniciou sua carreira criando chapéus e abriu sua primeira loja em Paris, em 1910. Revolucionou a moda feminina ao trazer roupas mais simples, elegantes e confortáveis. Entre suas criações mais famosas estão o “pretinho básico”, o tweed e o perfume Chanel nº 5. Sua vida pessoal foi marcada por desilusões amorosas e pela perda de seu grande amor, Boy Capel. Apesar de polêmicas durante a Segunda Guerra Mundial, ela retornou à moda e consolidou seu legado. Com isso, vemos que sua história não foi o que entendemos como um conto de fadas. Entretanto, Matthieu teve uma visão diferente. Para ele, a trajetória de Chanel é a representação exata do conto João e o Pé de Feijão, que conta a história de um menino pobre que se reergueu fazendo tudo do seu próprio jeito, apesar das dificuldades que enfrentou até chegar ao topo.

Onde parte de uma reflexão poética: e se a trajetória de Gabrielle Chanel também pudesse ser vista como um conto de fadas?

A partir dessa visão, o cenário do desfile foi destacado com flores gigantes, troncos e cadeiras no ar, simulando o grande pé de feijão. Na passarela, essa narrativa se traduziu em uma coleção rica em detalhes e contrastes.

Essa narrativa se estende além da passarela e chega aos bastidores. O diretor criativo Matthieu Blazy foi visto com um antigo livro de contos de fadas de capa de couro, encontrado no apartamento parisiense de Gabrielle Chanel, um detalhe que reforça ainda mais o universo que inspirou a coleção.

Os vestidos ganharam protagonismo, principalmente com bordados florais, detalhes marcantes e tecidos que criavam movimento a cada passo. Algumas modelos também exploraram transparências, deixando a lingerie visível por baixo, criando essa percepção entre delicadeza e sensualidade.

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Além disso, tecidos como o xadrez e a ráfia apareceram em diferentes composições, como no look que remetia à figura do espantalho, reforçando a ligação com o universo das fábulas.

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Os bordados foram um dos elementos que mais chamaram a atenção, trazendo não apenas flores e delicadeza, mas também a representação dos próprios contos que serviram de inspiração para o desfile. Alguns mostravam cenas do próprio João e o Pé de Feijão e também do Gato de Botas, destacando que não se tratavam apenas de referências, mas de partes reais da narrativa criada por Matthieu Blazy.

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Além dos vestidos, não podemos deixar de fora o clássico tweed, que marcou presença nas passarelas em conjuntos compostos por jaquetas de manga longa e saias de diferentes comprimentos, com botões marcantes, texturas e bordados que complementavam as peças de forma quase mágica. Para a seleção de cores, Blazy escolheu, em sua maioria, tons pastéis como azul, rosa, lilás, verde, branco e amarelo palha, que, em conjunto com as flores e os bordados, reforçaram a parte mais delicada e fantasiosa da proposta.

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A partir da metade do desfile, é possível perceber uma mudança. Aquela leveza e o ar delicado do começo ainda estão presentes, mas de forma mais madura e com mais presença. Surgem cores mais fortes, como preto, marrom e vermelho. As peças passam a ter menos bordados e florais, trazendo uma estética mais limpa e bem trabalhada.

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Aparecem conjuntos mais formais, como terninhos e minissaias em marrom com botões dourados em destaque. Também surgem jaquetas de manga curta combinadas com saias em cores intensas, além de looks em branco e bege, que mantêm certa leveza.

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Os vestidos continuam presentes, principalmente em tecidos leves e transparentes, mantendo a lingerie visível. Não podemos esquecer do clássico pretinho básico da Chanel, com cortes mais retos, silhuetas marcadas e calças com modelagem mais geométrica.

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Rendas e meia calças em tom pastel também ganharam destaque. As modelagens variam entre golas e decotes em V, além de combinações com calças retas e peças tomara que caia.

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Entre os momentos mais simbólicos, aparece um look com inspiração de noiva, com renda e véu.

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Nos acessórios, o conto de fadas se faz ainda mais presente, com bolsas metálicas em formato de feijão e de galinha com ninho, criando referência direta ao conto. As pérolas, mesmo que sutis, marcam presença em vestidos, colares, broches e botões, tanto em tons rosados quanto brancos. Outro detalhe, apesar de mínimo, mas importante, são as pequenas correntes finas que caem sobre os tecidos, criando movimento e brilho.

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Também foram adicionados adornos de cabeça feitos com materiais que lembram palha. Nos sapatos, a relação com os contos de fadas fica ainda mais evidente, com elementos como um salto com ovo dourado, outro com uma galinha, e alguns que traziam cenas do João no Pé de Feijão.

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Saindo do foco dos looks, não podemos deixar de mencionar a atenção aos mínimos detalhes na introdução e na mudança da trilha sonora. No início, carregava uma atmosfera inspirada nos contos, com sonoridade que remetia à fantasia, encantamento e inocência. Depois, passa a trazer a voz de uma mulher narrando situações do cotidiano.

Entretanto, a magia do desfile não terminou com os passos da última modelo da passarela. Para eternizar esse belíssimo desfile, a Chanel convidou o artista francês Joël Blanc, que pintou ao vivo, em aquarela, os looks conforme desfilavam.

Com isso, a coleção do estilista reforça que, além de homenagear Chanel e sua trajetória inspiradora, também abre nossos olhares para entendermos que não devemos apenas viver no mundo da fantasia e esquecer de viver a nossa própria realidade. Mas, acima de tudo, saber equilibrar esses dois mundos.

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Escrito por Luiza Zaninelli I Editado por Ana Carolina Gomes 

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