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Jonathan Anderson transforma o legado da Dior em alta-costura escultórica no desfile Outono/Inverno 2026/2027 em Paris

O desfile da Coleção Outono/Inverno 2026/2027 da grife Christian Dior aconteceu nesta segunda, 6 de julho, no Museu Rodin, em Paris. É o segundo desfile de Jonathan Anderson à frente da direção criativa da maison e marca mais um passo na construção de sua identidade para a marca. A coleção é inspirada na obra e vida da artista norte-americana Lynda Benglis.

Lynda Benglis inspira a nova coleção de Jonathan Anderson para a Dior

As roupas da coleção são cheias de plissados, amarrações, movimento, transparências, seda e leveza, elementos que refletem tanto a natureza dinâmica, quanto a produção artística de Benglis. Em suas esculturas, a artista transforma materiais bidimensionais em formas tridimensionais por meio de moldagens, dobras e nós. 

O cenário montado no Museu Rodin reforça uma atmosfera orgânica, com a presença de samambaias, uma referência direta ao uso da natureza na obra de Benglis. A trilha sonora de tom etéreo e transcendental, complementa a experiência sensorial do desfile.

Plissados, transparências e formas orgânicas marcam o desfile da Dior

Entre os elementos históricos da Dior preservados por Anderson estão os plissados, uma característica autoral da maison. A paleta de cores reúne tons de verde, cinza, prata, dourado, salmão, rosa, preto e branco, além de flores em branco, azul, laranja e amarelo.

As silhuetas evocam pétalas em movimento e bronze derretido, enquanto tecidos leves e formas fluidas fazem com que as peças pareçam organismos vivos. O resultado é uma coleção que funciona como uma verdadeira ode à natureza.

O legado histórico da Dior na moda

Quando Christian Dior criou e apresentou sua 1ª coleção, em fevereiro de 1947, a moda feminina ainda carregava restrições da Segunda Guerra Mundial: silhuetas austeras, ombros marcados e roupas econômicas. Então, surgiu o famoso “New Look”, em que o conjunto mais emblemático era o Bar Suit: cintura bem marcada, ombros suaves e saias amplas até o meio da perna.

O New Look surgiu com uma expressão de Carmen Snow, editora da Harper’s Bazaar da época, que disse: “It’s such a new look”. Portanto, a expressão batizou a coleção e muitos historiadores consideram esse momento como o renascimento da alta-costura parisiense no pós-guerra. Desde então, muitos diretores criativos passaram pela Dior, como Yves Saint Laurent, John Galliano, Maria Grazia Chiuri, que foi a primeira mulher a comandar a maison, entre outros, e no momento, temos Jonathan Anderson.

Jonathan Anderson reinterpreta os códigos clássicos da Dior

Jonathan Anderson também revisitou alguns dos principais códigos estéticos da maison. O icônico Bar Jacket (casaco tradicional da Dior) surgiu em novas proporções, enquanto o tweed foi apresentado sob uma perspectiva contemporânea. Laços, flores e a alfaiataria tradicional da Dior ganharam uma leitura artística, se afastando do caráter romântico. 

Em vez de recorrer à nostalgia, o diretor criativo utiliza os elementos históricos da marca como ponto de partida para construir uma nova linguagem visual, preservando a identidade da Dior sem transformá-la em uma repetição do passado. 

Como Jonathan Anderson redefine o futuro da Dior

O desfile evidencia o momento de transição vivido pela Dior sob a direção criativa de Jonathan Anderson. Ele construiu uma reputação extraordinária na Loewe, valorizando o artesanato, brincando com proporções e gênero, criando roupas conceituais e desejáveis comercialmente, etc. Em vez de simplesmente reproduzir o legado de Christian Dior, o estilista opta por reinterpretá-lo, preservando a tradição enquanto incorpora uma linguagem contemporânea, experimental e escultórica.

Ao aproximar a alta-costura da arte contemporânea e do caráter orgânico presente na obra de Lynda Benglis, Anderson propõe uma Dior menos nostálgica e mais aberta à experimentação estética. O resultado é uma coleção que reúne artesanato, técnica e expressão artística, reafirmando a capacidade da maison de dialogar com o presente sem perder sua identidade. A Dior não apenas revisita o seu passado, mas aponta para o futuro da alta-costura, demonstrando que tradição e inovação podem coexistir em equilíbrio.

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Escrito por Jarina Milena I Editado por Ana Carolina Gomes 

Graduada em Audiovisual, Redatora, Cientista Social e Fotógrafa gótica e indie, ama escrever, criar e estar sempre antenada ao universo da moda, cinema e cultura. Enxerga a moda como comunicação, expressão e vínculo social, utilizando-a como ferramenta para transmitir sentimentos, reflexões e questionamentos no cotidiano. Criativa e observadora, gosta de unir senso crítico, estética e autenticidade em tudo o que faz. Também ama um sorvete de casquinha mista, viajar e sair da rotina sempre que possível.

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