Coleção nova,  Desfiles,  Moda

O invisível ganha forma na nova coleção de Iris van Herpen

Inspirada em fenômenos cósmicos, Sonic Starquakes reafirma seu lugar entre os nomes mais inovadores da alta-costura.

Na sua nova coleção de outono 2026, apresentada durante a Semana de Alta-Costura de Paris, Iris explora, em Sonic Starquakes, fenômenos cósmicos e as forças invisíveis que moldam o universo. 

(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)
(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)

O ponto de partida da coleção são os chamados starquakes, abalos sísmicos que acontecem nas estrelas e que permitem aos cientistas estudar sua estrutura interna. A partir desse fenômeno, a designer desenvolve uma reflexão sobre padrões que se repetem na natureza, independentemente da escala.

A coleção parte da ideia de que diferentes fenômenos da natureza compartilham padrões semelhantes de formação: redes neurais, tempestades planetárias, raios, deltas de rios e vasos sanguíneos pertencem à mesma “família de formas”, ainda que existam em escalas completamente diferentes.

Na passarela, esse conceito ganha forma em silhuetas orgânicas, tecidos translúcidos e volumes que parecem estar em constante movimento.

(Reprodução/Vogue Runway)

É uma coleção que convida a olhar para aquilo que normalmente não conseguimos enxergar.

(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)

O primeiro vestido de plasma da história

O grande destaque do desfile foi Helix Nebula, apontado como o primeiro vestido de plasma da história.

(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)
(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)

Na física, o plasma é conhecido como o quarto estado da matéria: um gás ionizado altamente energizado que compõe cerca de 99,9% do universo visível, formando o Sol e outras estrelas, mas que raramente é encontrado na Terra.

A criação foi desenvolvida com duas estruturas de vidro sopradas à mão e preenchidas com plasma, suspensas ao redor da silhueta.

(Reprodução/Vogue Runway)

Quando o vestido é usado, o corpo atua como condutor do campo elétrico do plasma, fazendo com que ele reaja ao toque humano. A base da peça é confeccionada em tule transparente e recebe milhares de esferas de vidro sopradas à mão, criando um efeito que lembra bolhas flutuando ao redor do corpo.

(Reprodução/Fashion Network)
(Reprodução/Fashion Network)

Em conversa com a Vogue durante a apresentação da coleção, Iris resumiu o significado da criação em uma simples frase: “I think it comes close to energy alone.” (“Acho que ele chega muito perto da própria energia.”).

Moda, ciência e artesanato

Mas reduzir Sonic Starquakes ao vestido de plasma seria simplificar uma coleção construída a partir de anos de pesquisa. Outra peça apresentada foi desenvolvida com o auxílio de um acelerador de partículas operando em temperaturas próximas de -100 °C. O processo permitiu aprisionar bilhões de elétrons na estrutura do vestido, formando padrões semelhantes a descargas elétricas.

(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)
(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)
(Reprodução/Instagram: @irisvanherpen)

Essa aproximação entre ciência, arte e moda acompanha toda a trajetória da estilista: desde a fundação de sua marca, em 2007, Iris desenvolve um trabalho interdisciplinar que reúne alta-costura, arquitetura, dança, física, biologia, química e tecnologia.

Em vez de usar esses elementos apenas como referência estética, eles fazem parte do próprio processo de criação, sempre aliados ao trabalho artesanal que caracteriza a haute couture.

Um lugar único na alta-costura

Em uma temporada marcada por grandes estreias criativas, Iris van Herpen mais uma vez mostrou que ocupa um espaço próprio dentro da moda. Enquanto muitas marcas voltam seus olhares para o passado, ela continua interessada em imaginar o futuro.

Mais do que apresentar roupas impressionantes, Sonic Starquakes transforma conceitos científicos complexos em experiências visuais sem perder de vista o trabalho manual, a pesquisa e a delicadeza que definem a alta-costura.

É justamente essa capacidade de unir inovação e artesanato que faz com que cada nova coleção de Iris pareça menos uma sequência da anterior e mais um novo capítulo de uma investigação que ela conduz há quase duas décadas.

E, para ficar por dentro das novidades sobre conteúdos do mundo da moda, não deixe de acompanhar o Fashionlismo!  

Escrito por Victória Parente I Editado por Ana Carolina Gomes 

Estudante de Design de Moda, com 20 anos, reside em Vitória, Espírito Santo. É apaixonada pelo mundo da moda e pelo processo de criação de um produto. Deseja levar conhecimento e informação sobre a área com uma visão criativa e fresca, unindo sua paixão pela moda com a escrita.