“Além da Fantasia”, exposição de Yoshitaka Amano
Exposição no Centro Cultural do Brasil
De curadoria e idealização de Antonio Curti, a exposição possui 218 obras, entre pinturas, desenhos, revistas e uma sessão interativa. Abarcando seis universos dos quais o artista participou ou idealizou:
Tatsunoko, Angel’s Egg, Devaloka, Final Fantasy, Vampire Hunter D, Candy Girls. Além disso, conta com colaborações, como sua capa da Vogue Itália e seu trabalhou em parceria com Sandman, de Neil Gaiman, passando também por Magic: The Gathering e DC Comics.

Temas recorrentes na exposição
A exposição segue uma ordem quase cronológica, em que nos apresenta seu início na Tatsunoko e segue por seus principais trabalhos, contando de forma consistente sua obra, seu olhar e a versatilidade do trabalho de Yoshitaka. Assim, aproximando fãs e quem ainda não conhece sua obra.
As pinturas de Amano giram em torno de alguns temas que se repetem ao longo de sua trajetória enquanto artista. As temáticas do etéreo e do sagrado, no qual retrata cenas humanas altamente pertencentes a um segundo plano. Um mundo suspenso entre o mitológico e o terreno.
O artista usa, portanto, um visual transcendental com figuras tão humanas quanto quem vê sua obra. Cada uma enfrentando o destino para o qual foi designada, seja ele bom ou não.
Muitas de suas pinturas lembram as obras do simbolista e pintor da Art Nouveau, Gustav Klimt, o qual também abordava temas humanos por meio de atmosferas transcendentais. Yoshitaka, no entanto, traz sua cultura, vivência e o casamento entre modernidade, místico e terreno.



Amor
Outro tema que me chama atenção ao longo da exposição é o amor, assunto recorrente para o artista, e que aparece independente do projeto.
O sentimento aparece de forma explícita em uma paisagem sem qualquer árvores ou natureza evidente. No quadro, um sacerdote e seu aprendiz permanecem sozinhos sobre uma pequena elevação de terra em meio ao nada.
Além disso, também surge nos casais abraçados, nas relações marcadas por proteção, parceria, e até mesmo posse, além da amizade feminina retratada em uma de suas colaborações com a DC.



Dessa forma, independentemente da época, evolução ou temática em seu trabalho, o amor, o fantástico, o surreal e o onírico se fazem presentes por meio da crueza das emoções humanas em seu trabalho. Assim, temas como solidão, melancolia, posse, contemplação, destino e propósito também aparecem de forma consistente ao longo de sua trajetória.
Nesse sentido, o trabalho de Yoshitaka não pode ser descrito com apenas uma palavra. Para além da humanidade tão presente nas suas obras, através dos sentimentos mais vulneráveis possíveis, seu trabalho também mescla diferentes frentes artísticas. A mistura de art nouveau, tradição japonesa, artpop e surrealismo cria algo novo. Um universo tão monumental quanto íntimo.
Obras problemáticas

No entanto, um ponto que me chamou atenção de uma forma não tão positiva foi a sessão dedicada a sua série de pinturas, Candy Girl, nas quais o artista retrata mulheres extremamente jovens, quase infantis, em posições e vestimentas sexualizadas. Foi, portanto, a única decepção dessa exposição.
Todavia, a série também leva à reflexão sobre a presença histórica de representações sexualizadas de personagens jovens, menores de idade e infantilizadas em determinados segmentos da cultura visual japonesa, um tema que continua sendo objeto de crítica e debate.
Apesar desse ponto, que merece total atenção e olhar crítico à produção do artista, e ao próprio, vale a pena visitar a exposição, que se encerra em poucos dias.
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Escrito por: Milena Santiago | Editado por: Maria Clara Machado


