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Afinal, o que é a Semana de Alta-Costura de Paris?

Entre os dias 6 e 9 de julho, Paris recebeu mais uma edição da Semana de Alta-Costura, evento que apresentou as coleções de Outono-Inverno 2026/2027 de algumas das mais prestigiadas maisons do mundo. 

Da esquerda para direita: Fendi, Robert Wun, Balenciaga, Chanel e Schiparelli na Semana de Alta-Costura de Paris Outono-Inverno 2026/2027. Fotos: Reprodução/Vogue

Apesar da repercussão dos desfiles nas redes sociais e na imprensa especializada, muita gente ainda não sabe exatamente o que caracteriza a alta-costura e por que esse calendário ocupa um lugar tão importante na indústria da moda. Com a participação de marcas como Balenciaga, Chanel e Schiaparelli, a semana reúne criações marcadas pelo trabalho artesanal, pela exclusividade e pela criatividade. Mas, afinal, o que diferencia esse evento das demais semanas de moda e o que uma marca precisa para integrar seu seleto calendário? 

O que é a alta-costura e a Semana de Alta-Costura de Paris?

A alta-costura representa o mais alto nível do artesanato na moda. Cada peça é produzida sob medida para o cliente, confeccionada manualmente por profissionais altamente especializados e utilizando materiais de excelência. O resultado são criações únicas, nas quais cada bordado, aplicação e acabamento pode exigir centenas de horas de trabalho.

Na França, o termo “haute couture” é legalmente protegido. Apenas as maisons reconhecidas oficialmente podem utilizar essa denominação. Os critérios são estabelecidos pela Fédération de la Haute Couture et de la Mode, responsável por organizar o calendário oficial da Semana de Alta-Costura, enquanto o reconhecimento é concedido pelo Ministério da Indústria francês.

Para receber essa certificação, uma marca deve cumprir uma série de exigências, entre elas:

  • manter um ateliê em Paris;
  • contar com uma equipe permanente de, no mínimo, 15 profissionais em tempo integral;
  • confeccionar peças sob medida para clientes, com pelo menos uma prova de roupa durante o processo;
  • apresentar duas coleções por ano, com no mínimo 35 looks para o dia e para a noite;
  • preservar técnicas tradicionais de costura, bordado e acabamento, executadas manualmente. 

Esse rigor faz com que uma única peça possa levar centenas ou até mais de mil horas para ser concluída. Não por acaso, as criações de alta-costura são frequentemente descritas como verdadeiras obras de arte vestíveis, resultado de um trabalho artesanal que atravessa gerações.

Peças da coleção “Maa” de Manish Malhotra na semana de Alta-Costura de Paris Outono-Inverno 2026/2027. Fotos: Reprodução/Vogue

Já a Semana de Alta-Costura é um dos eventos mais importantes do calendário internacional da moda e acontece exclusivamente em Paris. Realizada duas vezes ao ano, ela apresenta as coleções de Primavera-Verão e Outono-Inverno das maisons reconhecidas oficialmente como alta-costura, além de algumas marcas convidadas. Diferentemente das semanas de prêt-à-porter (pronto para vestir), o evento costuma durar entre três e quatro dias, já que reúne um número menor de desfiles. 

Quem compra Alta-Costura? 

Embora os desfiles atraiam milhões de espectadores pelas redes sociais, a alta-costura é destinada a um público extremamente restrito. Estima-se que existam cerca de quatro mil clientes de alta-costura em todo o mundo. 

As criações costumam aparecer com mais frequência em tapetes vermelhos, premiações e grandes eventos, vestindo atrizes, cantoras, celebridades e clientes de altíssimo poder aquisitivo. Isso porque cada peça é confeccionada sob medida e pode exigir centenas de horas de trabalho artesanal, o que se reflete no seu valor. Mesmo um modelo mais simples, sem bordados ou aplicações elaboradas, pode custar a partir de 10 mil dólares, enquanto as criações mais complexas podem alcançar valores muito superiores.

Vestido Balenciaga “55th Couture Colletion” Outono-Inverno 2026/2027. Fotos: Reprodução/Vogue

Por que a alta-costura continua relevante para a indústria da moda, mesmo sendo voltada para um público extremamente restrito?

Embora represente uma parcela ínfima das vendas das grandes maisons, a alta-costura continua desempenhando um papel fundamental na indústria da moda. Sua permanência está diretamente ligada à preservação de um modo de fazer roupa que valoriza o trabalho artesanal, a excelência técnica e a criatividade.

Em um mercado cada vez mais orientado pela produção em larga escala e pela rapidez, a alta-costura mantém vivas técnicas centenárias de costura, bordado e acabamento, transmitidas entre gerações e constantemente aperfeiçoadas nos ateliês especializados. 

O reconhecimento como maison de alta-costura também fortalece o prestígio de uma marca. No mercado de luxo, essa certificação funciona como um selo de excelência, reforçando atributos como exclusividade, tradição e savoir-faire, uma expressão francesa utilizada para designar um conhecimento técnico adquirido ao longo do tempo.

Além do valor simbólico, a alta-costura funciona como um laboratório criativo. É nesse espaço que os estilistas têm maior liberdade para experimentar novas silhuetas, técnicas, materiais e conceitos, muitos dos quais acabam influenciando coleções de prêt-à-porter e outras áreas da moda.

Talvez seja justamente essa a maior força da alta-costura: ela vende muito mais ideias do que roupas. Ainda que a maioria das pessoas jamais possa adquirir uma de suas peças, seus desfiles inspiram tendências, consolidam a identidade das maisons e alimentam o imaginário da moda, reafirmando que, antes de ser um produto, a moda também pode ser arte. 

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Escrito por Mariana Guimarães I Editado por Ana Carolina Gomes 

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