Da telinha para o guarda-roupa: como personagens de séries influenciam a moda
Personagens de séries, muitas vezes – quando autênticos, únicos e icônicos – são a fonte de uma tendência que chegou às vitrines bem antes dela se tornar assunto nas redes sociais ou um look viral nas ruas.

Personagens de séries como verdadeiros ícones fashion
Ao passar dos anos, personagens de filmes e séries têm inspirado muitos looks: Penteados, makes, vestimentas e elementos do figurino têm construído o imaginário fashion e virado mania fora da ficção.
Nomes como Wandinha Addams, Anne Shirley e Blair Waldorf são exemplos de personagens marcantes visualmente e que servem de inspiração para quem gosta de adicionar referências ao próprio estilo.
Mesmo ambas sendo de universos diferentes, elas mostram que a moda também pode contar uma história e, ao mesmo tempo, contagiar quem assiste.
Wandinha: quando o figurino vira identidade

Poucas personagens têm uma identidade visual tão marcante como esta moça. Na série Wandinha, a personagem na sua paleta de preto, branco e tons escuros. Acompanhados por elementos como camisas de gola branca, vestidos pretos, meias-calças, tranças e sapatos Mary Jane.
O figurino reforça características já presentes na personalidade da personagem: seu humor ácido, sua personalidade independente e seu gosto pelo sombrio. As roupas vão além da composição visual da cena, pois ajudam a revelar a personalidade e a identidade de Wandinha.
A estética também ultrapassou a série. Nas redes sociais, elementos associados à personagem passaram a aparecer em looks cotidianos, maquiagens e produções inspiradas no universo gótico e colegial.
“O figurino é uma ferramenta narrativa. Ele ajuda a construir a personalidade do personagem e faz com que o público reconheça aquela identidade visual mesmo fora da tela.”
Wandinha não precisa aparecer com diversas roupas para influenciar a moda. É justamente seu estilo único e cheio de personalidade que cria essa identidade visual tão querida pelo público e que não influencia só quem é amante do universo gótico, mas a moda em geral, criando looks monocromáticos sem serem cansativos e se mantendo no estilo trevoso e potente.
Anne Shirley: o romantismo que atravessa gerações

Wandinha mostra a moda gótica em ascensão e Anne entra com uma estética oposta. A protagonista vive em uma época cujo contexto histórico traz roupas longas, vestidos de cintura marcada, blusas de gola alta, mangas volumosas, cardigãs, botas e tecidos com estampas delicadas.
A série Anne with an E é ambientada no final do século XIX, trazendo referências contemporâneas relacionadas às produções românticas, vintage e ao chamado cottagecore, estética que valoriza uma ideia idealizada de vida no campo, o contato com a natureza e referências de épocas anteriores.
Sua influência está entrelaçada com sua personalidade imaginativa, independente e com a maneira como enxerga o mundo. O público não copia exatamente o mesmo estilo, mas associa elementos do seu figurino a o de Anne, adaptando esses elementos à sua personalidade e ao figurino no presente.
Uma gola diferente, uma saia mais fluida, uma estampa floral ou um cardigã podem carregar parte daquela estética sem transformar o visual final em uma fantasia de época.

“Personagens de outras épocas conseguem aproximar o público de referências históricas. O que acontece é uma releitura: elementos do figurino são retirados daquele contexto e adaptados para a moda contemporânea.”
Blair Waldorf: a elegância como assinatura da personagem

Gossip Girl nos apresenta uma das personagens de séries mais icônica dos anos 2000: Blair Waldorf, que constrói sua identidade baseada em referências clássicas e no estilo preppy.
Saias, vestidos, blazers, cardigãs, meias-calças, sapatilhas, estampas e acessórios aparecem constantemente em seus looks.
A sua assinatura talvez esteja nas tiaras, que compõem sua identidade visual. Sua marca é mostrar que elementos tradicionais também podem ditar moda. O uniforme escolar, por exemplo, ganha novas interpretações por meio de sobreposições, acessórios e combinações.

Mesmo anos após seu lançamento, elementos da personagem seguem vivos entre o público.
“Quando o público reproduz o estilo de uma personagem, ele não está escolhendo apenas uma roupa. Muitas vezes, está buscando comunicar as características que aquela personagem representa, como elegância, romantismo, ousadia ou confiança.”
Mas por quê queremos nos vestir como nas séries?
Essa identificação não ocorre só pelo belo das roupas, mas pelo reconhecimento de um pouco de cada um nesses personagens. É um reconhecimento de personalidade e estilo na tela.
Vestir-se como Wandinha pode significar experimentar uma estética mais sombria. Inspirar-se em Anne pode representar uma aproximação com o romantismo e o vintage. Reproduzir elementos do estilo de Blair pode transmitir uma imagem mais clássica e sofisticada.

A influência também está na possibilidade de transformar aquilo que vemos na ficção em algo nosso.
Não é necessário reproduzir um figurino inteiro. Um acessório, uma cor, uma modelagem ou até mesmo a maneira de combinar determinadas peças pode ser suficiente para trazer a referência de uma personagem para o cotidiano.
Alguns nomes como, Wandinha, Anne, Blair e tantas outras pertencem a universos completamente diferentes, mas possuem algo em comum: seus figurinos ajudam a contar quem elas são.
No fim, talvez seja justamente essa identificação que explique por que a influência ultrapassa a tela. A ficção termina quando sobem os créditos. A influência do figurino, muitas vezes, continua no nosso guarda-roupa.
Fontes:
Susan M. Kaiser, pesquisadora e professora na área de moda, identidade, vestuário e comportamento;
Jennifer E. Scott, pesquisadora e curadora especializada em moda, figurino e cultura visual.
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Escrito por: Talita Motta | Editado por: Alice Maria


