Tecidos tecnológicos: o futuro da indústria da moda
A indústria da moda sempre foi associada a tendências e desfiles. Mas essa indústria carrega um dos maiores desafios ambientais por trás de tudo isso: Abafada pelo glamour, a cadeia têxtil enfrenta pressões para reduzir resíduos e adotar soluções sustentáveis.
A indústria da moda e seu principal problema
Segundo a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil:
“o mundo produz mais de 170 mil toneladas de lixo têxtil por ano. Deste total, cerca de 20% são reciclados ou reaproveitados, mas 135 mil toneladas têm descarte inadequado em lixões ou na natureza”

O planeta está contra o tempo…
Não há tempo para conversas, promessas ou falsas iniciativas das grandes marcas e indústrias!
De acordo com a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e a Agência Brasil – EBC:
“O Brasil descarta anualmente quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis. Segundo dados do setor, um rastro de poluição que a urgência climática não permite mais ignorar. Isto representa cerca de 5% de todo o lixo urbano do país.”
Mas ainda pode haver solução!
Junho, o Mês do Meio Ambiente, abre as portas para uma revolução que está mudando o fio da história.

Mas, o que são os tecidos tecnológicos, inteligentes e biodegradáveis?
São materiais inovadores que possuem tratamentos especiais ou fibras de alta performance.
Embora as microfibras tenham surgido na década de 1970, o conceito engloba uma gama muito maior de funções, como por exemplo serem anti alérgicos, proteger contra raios UV e monitorar a frequência cardíaca.

Inovação brasileira
A Startup brasileira BIOTECAM criou em 2020 o Texticel, tecido feito por bactérias, em laboratório.
A tecnologia busca reduzir impactos ambientais e ampliar a vida útil dos materiais têxteis, mostrando que a inovação sustentável também está sendo desenvolvida no Brasil.
“Os tecidos biológicos e tecnológicos representam o futuro da moda. Estão surgindo materiais desenvolvidos a partir de micélio (estrutura dos fungos), resíduos de maçã, uva, algas, fibras da bananeira, e outras matérias-primas que buscam reduzir a dependência de recursos tradicionais. Um exemplo é o lyocell, produzido a partir da celulose de madeira em um sistema de circuito fechado, que recupera e reutiliza grande parte dos solventes empregados no processo. Esse é um caso interessante porque mostra que é possível unir inovação, desempenho e redução de impacto ambiental.
Existem soluções, mas precisamos avaliar a durabilidade, rastreabilidade, consumo de recursos, possibilidade de reciclagem e capacidade de produção em larga escala. A inovação é fundamental, mas acredito que o futuro da moda será definido por aqueles que conseguirem combinar menor impacto ambiental, viabilidade econômica e acesso em escala” – Afirma a consultora de moda circular Camila Giestas.
Já os tecidos biodegradáveis são feitos de matéria-prima natural, de fibras artificiais com base natural ou de fibra sintética quimicamente alterada para se decompor mais rápido.
Conheça alguns deles:

- Algodão Orgânico: Cultivado sem agrotóxicos.
- Linho: Fibra natural, de alta durabilidade e biodegradabilidade.
- Cânhamo: Cultivo sustentável que não exige produtos químicos.
- Fibra de Bambu: Macia e de rápida renovação da planta.
- Seda: Podendo ser de soja ou de laranja – Natural e resistente.
- Fibra de bananeira: Fibra 100% natural, biodegradável e resistente
- Poliamida Biodegradável: Desenvolvida para acelerar o processo de decomposição após o descarte.
- Couro de abacaxi ou Pinãtex: É leve, durável, respirável e evita o desperdício de resíduos agrícolas.
E o futuro, como será?

Especialistas alertam que a transformação do setor depende de uma ação conjunta entre indústria, poder público e consumidores.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, é mais do que uma data para refletir, é um momento para mostrar que a mudança acontece na prática.
O mundo pede urgência, mas a moda parece já estar caminhando para materiais que consigam unir inovação, desempenho, viabilidade econômica e sustentabilidade.
Escrito por: Rafaela Grande | Editado por: Alice Maria


