Quando vestir também é inclusão
Encontrar uma roupa que vista bem é uma tarefa simples para a maioria das pessoas. Mas, para as famílias que convivem com a deficiência, esse gesto pode significar limitações e perda de autonomia.
Adriana Lopes, mãe de uma criança com necessidades, a transformou sua experiência pessoal em pesquisa. Em seu trabalho de conclusão de curso em Tecnologia e Produção do Vestuário, ela desenvolveu uma linha de roupas adaptadas para bebês e crianças, unindo ergonomia e funcionalidade.
A história de Adriana representa a realidade de milhões de brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,2% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Ainda assim, encontrar roupas pensadas para diferentes corpos continua sendo um desafio.
A moda inclusiva busca desenvolver roupas capazes de atender diferentes necessidades físicas sem abrir mão da estética, do conforto e da identidade de quem as veste. O objetivo é que pessoas com deficiência tenham autonomia para se vestir e possam expressar sua individualidade por meio da moda.

A indústria da moda ainda é projetada, para um corpo padrão. É nesse cenário que projetos como a Equal Moda Inclusiva buscam transformar a inclusão em uma questão de design, inovação e autonomia. Desenvolver uma peça inclusiva exige compreender diferentes limitações físicas, estudar ergonomia, circulação sanguínea, postura e mobilidade.
“A Equal Moda Inclusiva nasceu de uma indignação. Ao conviver com pessoas com deficiência, vi os desafios que elas enfrentavam. Não aceitei que o ato de se vesti estivesse associado à dor, ao desconforto e à perda de autonomia”, comenta Silvana Louro, CEO da Equal Moda.
Na moda inclusiva, a funcionalidade vem sempre em primeiro lugar, a partir do estudo da modelagem, das diferentes deficiências e dos desafios enfrentados no ato de vestir.
A moda precisa compreender que inclusão não é uma tendência, nem um nicho de mercado. É a evolução natural de uma indústria que pretende dialogar com a sociedade como ela realmente é.
O futuro será inclusivo porque pertence a uma moda que reconhece o valor e a beleza de todas as pessoas.
Um futuro em que pessoas com deficiência estarão presentes não apenas como consumidoras, mas também como estilistas, modelos, consultoras, pesquisadoras, empreendedoras e lideranças da indústria.
Meu maior desejo é que a próxima geração estranhe o fato de um dia termos considerado a inclusão uma exceção. O verdadeiro avanço será quando desenhar para diferentes corpos deixar de ser um diferencial e passar a ser apenas a maneira correta de fazer moda.
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Escrito por Rafaela Grande I Editado por Ana Carolina Gomes


