Quando o skincare encontra a infância nas redes sociais
Conteúdos de cuidados para pele feitos para adultos chegam ao público infantil e ampliam o debate sobre influência digital, autoestima e consumo precoce nas redes sociais
Vídeos no formato “arrume-se comigo”, em que criadores de conteúdo mostram a preparação para diferentes momentos do dia enquanto compartilham produtos e hábitos de beleza, transformaram o skincare em um dos temas mais populares das redes sociais. Entre uma etapa e outra da rotina, influenciadores testam lançamentos, apresentam cosméticos e dividem experiências com milhões de seguidores.
Nos últimos anos, porém, um novo público passou a ocupar esse espaço. Crianças começaram a reproduzir o mesmo formato, gravando vídeos em que mostram cuidados com a pele, apresentam cosméticos e compartilham preferências por produtos tradicionalmente associados ao universo adulto.
Bastam alguns minutos navegando pelas plataformas para encontrar meninas e, em menor escala, meninos aplicando séruns, máscaras faciais, tônicos e hidratantes diante da câmera. Em muitos casos, a produção mistura brincadeira, entretenimento e consumo. Aos poucos, o cuidado com a pele deixa de representar apenas um hábito de higiene e passa a refletir uma mudança mais ampla: referências adultas chegam cada vez mais cedo ao cotidiano infantil.
O crescimento desse comportamento acompanha a expansão do mercado de beleza nas plataformas digitais. Todos os dias, criadores de conteúdo publicam resenhas, comparações, lançamentos e recomendações de produtos desenvolvidos para controlar a oleosidade, uniformizar a pele, tratar manchas ou prevenir sinais do envelhecimento. Embora esse material tenha sido pensado para adultos, plataformas digitais ampliam seu alcance e aproximam crianças e adolescentes das mesmas referências.
O interesse também vai além dos produtos. Crianças passam a incorporar discursos sobre autocuidado, aparência e pele perfeita antes mesmo de compreender a função ou a necessidade dos cosméticos utilizados. Dessa forma, o skincare deixa de representar apenas uma rotina de beleza e passa a integrar conversas sobre consumo, identidade e pertencimento.
Não por acaso, o tema desperta discussões sobre os impactos da influência digital durante a infância. A exposição frequente a conteúdos de beleza pode antecipar preocupações com a aparência, estimular o consumo precoce de cosméticos e influenciar a construção da autoestima. O debate, portanto, deixa de envolver apenas escolhas individuais e passa a incluir o papel dos algoritmos, das plataformas e dos criadores de conteúdo na formação dessas referências.
A discussão também ganhou espaço na cultura pop. O lançamento de Salve Rosa (#SalveRosa), filme brasileiro disponível na Netflix, colocou a infância conectada no centro do debate ao acompanhar a rotina de uma influenciadora mirim e os impactos da exposição constante ao ambiente digital. Embora a história não trate de skincare, amplia uma reflexão que atravessa diferentes universos: conteúdos produzidos para adultos chegam cada vez mais cedo ao público infantil e influenciam hábitos, expectativas e a construção da própria imagem.

Nesse contexto, o skincare representa apenas uma das faces de uma transformação maior. A infância passou a conviver diariamente com referências que circulam entre adultos e encontrou nas plataformas digitais um espaço onde entretenimento, consumo e validação caminham lado a lado.
Mais do que discutir cosméticos, a reportagem convida a refletir sobre a infância na era dos algoritmos. Quando referências adultas passam a fazer parte do cotidiano de meninas e meninos, o desafio deixa de ser apenas escolher quais produtos usar. A principal questão passa a ser compreender como o ambiente digital influencia a construção da autoestima, da identidade e da relação com o próprio corpo.
E, para ficar por dentro das novidades sobre conteúdos do mundo da moda, não deixe de acompanhar o Fashionlismo!
E, para ficar por dentro das novidades sobre conteúdos do mundo da moda, não deixe de acompanhar o Fashionlismo!
Escrito por Aline Silva I Editado por Ana Carolina Gomes


