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A moda em Oz: o que os fãs estão vestindo para assistir Wicked

Enquanto Fabi Bang, Myra Ruiz e os outros grandes nomes do elenco estão em seus camarins se preparando para mais uma sessão de Wicked, muitos fãs vivem um momento semelhante em suas casas. Horas antes do espetáculo começar, eles também escolhem suas melhores roupas e maquiagens para montar o look perfeito inspirados no universo de Oz. Para esse público tão apaixonado, a experiência de assistir ao musical começa muito antes de ocupar a poltrona do teatro.

Em todos os cantos do foyer da Cidade das Artes é possível avistar pessoas vestindo verde e rosa, chapéus de bruxa, coroas brilhantes, muito glitter e acessórios que remetem a Glinda e Elphaba. Os fãs transformam espaço em uma extensão do universo de Wicked, combinando com as ativações instagramáveis preparadas pela produção do espetáculo.

Mais do que uma escolha estética, vestir-se inspirado nas bruxinhas de Oz é uma forma de celebrar a estreia de Wicked depois de 10 anos implorando para a produção chegar na cidade maravilhosa.. Também é uma forma de demonstrar pertencimento à comunidade de fãs e tornar a ida ao teatro em uma experiência ainda mais imersiva.

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Algumas histórias trazem marcas que ficam para sempre e Wicked é uma delas

O impacto da história de Wicked une e transforma relações, desde amizades até dentro da própria família. Cláudia Ferrão, de 68 anos, e sua neta Maria Luiza, de 17, foram assistir ao espetáculo juntas e se inspiraram em Glinda e Elphaba na hora de montarem seus looks.

“Eu acho maravilhoso. Há muito tempo essa peça me inspira. Fico muito emocionada porque tem uma história de superar as dificuldades”, afirma Cláudia. Sua relação com o musical se fortaleceu durante o período da pandemia de Covid-19. Ela também relembra a influência da família nessa paixão: uma de suas filhas cantava as músicas e fez com que despertasse ainda mais seu interesse pela produção.

Cláudia Ferrão e sua neta Maria Luiza
(Foto: Karen Teixeira)

A paixão por Wicked já virou tradição de família. Maria Luiza conta que conheceu a história por conta de sua tia e avó. “Eu acho incrível a história. Minha avó e minha tia me mostraram, e eu gosto muito de tudo”, disse ela.

Maria Luiza também contou que o ingresso para assistir ao espetáculo foi um presente da avó, que sabia o quanto ela gostava do musical. As duas decidiram viver a experiência de assistir ao musical vestindo verde e rosa em referência às personagens.

Mas a dupla de avó e neta não são as únicas a aderir o dresscode inspirado no musical. Entre os mais de mil espectadores em cada sessão, vários amigos, casais e famílias também apostam em figurinos parecidos com o dos personagens.

Público de Wicked (Foto: Karen Teixeira)

A dupla de estudantes de teatro da Unirio, Marcelo Menezes, de 21 anos, e Carolina Calvet, de 22, também se conheceram na faculdade assim como as protagonistas da obra. Vestido de verde, Marcelo conta que sua escolha foi pela identificação com uma das principais mensagens da história.

Segundo ele, a personagem representa alguém que é julgada antes mesmo de ser conhecida, uma realidade que dialoga diretamente com sua vivência como homem negro. “Wicked fala muito sobre representatividade. Principalmente a Elphaba, que fala sobre ser vista primeiro pela sua cor antes de ser vista por quem ela é. Para mim, trazer o verde, que representa a personagem, significa falar também da minha experiência como homem preto, que muitas vezes é visto primeiro pela cor da pele antes de ser visto como pessoa”, explica o estudante.

Já Carolina revela que por muitas vezes optou em se vestir como Elphaba mas que dessa vez decidiu inovar. A estudante foi caracterizada como Glinda, usando um vestido rosa, coroa e um casaco de pelúcia branco. “Eu também gosto muito da Glinda. Aprendi a gostar dela. Ela tem os momentos dela, mas é uma pessoa boa”, comenta.

O depoimento dos dois amigos revela um perfil bem comum entre os fãs de Wicked: pessoas que encontram no meio musical um espaço de reflexão sobre representatividade, identidade e as múltiplas camadas de uma obra.

Quando a paixão pela história se junta com o trabalho

Disso a atriz e dubladora Camila Maia entende bem. Ela é tão apaixonada no universo de O Mágico de Oz e de Wicked que já até emprestou sua voz para a bruxa boa. E é óbvio que ela usaria uma blusa com a cena da música For Good, uma das mais emocionantes sobre a amizade das protagonistas, para ir assistir ao espetáculo.

Foto: Camila Maia

No desenho animado Dorothy e o Mágico de Oz, Camila deu voz a Glinda e desde então tem sido sua personagem favorita desse universo.

Cena do desenho animado Dorothy e O Mágico de Oz,
disponível aqui

Em 2025, Camila viajou para São Paulo só para assistir ao musical, que estava em cartaz no Teatro Renault e ainda sem previsão de estreia no Rio. Ao chegar ao teatro antes do horário da sessão, ela tentou participar da visita aos bastidores, que era apenas para quem comprava o ingresso Ticket Esmeralda, de valor mais alto. Após ver uma criança vestida de Glinda ser convidada pela produção, Camila se apresentou ao responsável e contou toda sua história. Comovido com o relato, o responsável autorizou que ela, mesmo com um ingresso do setor popular, fizesse a visita para conhecer os bastidores do musical.

Method Dressing: uma tendência que vai dos artistas aos fãs

O method dressing não é algo exclusivo dos fãs de Wicked ou de teatro musical. Em shows grandiosos como a The Eras Tour de Taylor Swift ou em lançamentos de grandes filmes, ambos em 2023, os fãs transformaram as ruas em um desfile de moda. Era só passar por uma pessoa vestida de rosa em meados de julho de 2023 e ter certeza que ela estaria indo ao cinema assistir o live action de Barbie.

Esse tipo de comportamento é uma forma de participação ativa na cultura pop e dialoga com o method dressing, estratégia no qual os atores incorporam elementos visuais dos seus personagens nos filmes e séries. Muito utilizado por Margot Robbie, em Barbie, e Zendaya, na atual divulgação de Homem-Aranha: Um Novo Dia.

Ainda no universo cinematográfico, a adaptação de Wicked para as telonas em 2024 e 2025 também teve o seu papel nessa estética do method dressing. Os fãs podem expressar sua identificação com os personagens e as histórias, como forma de pertencimento e reconhecimento de outras pessoas com interesses em comum. Dessa forma, a moda não cumpre apenas um papel estético e sim como mais uma forma de vivenciar uma experiência cultural.

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Escrito por Karen Teixeira I Editado por Ana Carolina Gomes 

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