Muito além do figurino: como o BTS transforma moda em performance
Do comeback em Seul aos palcos da “ARIRANG TOUR”, o BTS reafirma a moda como parte essencial de sua narrativa artística – conectando identidade coreana, performance e influência global.

BTS e moda: quando o figurino também conta uma história
Formado por RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook, o BTS é um dos maiores grupos de K-pop da atualidade e um dos principais nomes da música pop global. Antes mesmo de entrar em hiato para cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, o grupo já havia ultrapassado o status de fenômeno musical.
Ao mesmo tempo, o BTS também se consolidou como potência fashion, movimentando milhões em valor de mídia espontânea e estabelecendo relações com grandes marcas do mercado de luxo, como Dior, Gucci, Calvin Klein, Celine e Louis Vuitton.
No entanto, no show de comeback exibido pela Netflix, o grupo seguiu outro caminho. Dessa vez, em vez de apostar em maisons europeias, os integrantes escolheram vestir a marca coreana independente Songzio.
Mais do que uma escolha estética, a decisão carregava um significado cultural importante.
A escolha da Songzio e o significado por trás dos figurinos
No universo do K-pop, figurino nunca é apenas roupa de palco. Nesse cenário, cada tecido, modelagem e detalhe participa da construção visual da performance.
No comeback do BTS, porém, essa proposta ganha ainda mais força. A escolha da histórica Praça Gwanghwamun, em Seul, como cenário da apresentação, o nome do álbum – Arirang, referência à tradicional canção folclórica coreana – e os figurinos criados pela Songzio fazem parte do mesmo discurso: reafirmar a cultura coreana em um cenário global.
Fundada em 1993, a Songzio possui sede em Seul e Paris e, atualmente, é comandada por Jay Songzio, filho do fundador da marca. Além disso, foi ele quem assinou os figurinos dos sete integrantes do BTS e também dos dançarinos e músicos envolvidos na apresentação.

Segundo o designer, a proposta central era reinterpretar referências tradicionais coreanas de maneira contemporânea. Inicialmente, a ideia era revisitar armaduras tradicionais coreanas. No entanto, os figurinos precisavam acompanhar coreografias intensas e longas horas de performance.
Por isso, a solução encontrada foi unir essa estética à fluidez do hanbok, vestimenta tradicional coreana conhecida pelo movimento leve e orgânico. Como consequência, surgiram peças modulares, transformáveis e pensadas tanto de forma conceitual quanto prática.
Além da construção estética coletiva, cada integrante também recebeu um figurino pensado de maneira individual, refletindo características e personalidades distintas sem perder a unidade visual do grupo.

BTS, moda masculina e influência global

Hoje, o impacto visual do BTS já ultrapassa o universo do K-pop. Desde a estreia, o grupo ajudou a ampliar debates sobre moda masculina, performance e construção de imagem na cultura pop global.
Nesse processo, a mistura entre alfaiataria, streetwear, fluidez e elementos tradicionais criou uma estética que influencia tanto fãs quanto o próprio mercado fashion.
Mais uma vez, o retorno do grupo evidencia que o figurino não funciona apenas como tendência, mas também como ferramenta narrativa.
Nahmias e a conexão do BTS com designers contemporâneos
Essa relação entre moda e identidade cultural também aparece na nova turnê do grupo.
Já durante os shows da “ARIRANG TOUR” em Stanford, Califórnia, o BTS utilizou figurinos personalizados desenvolvidos pela marca americana de luxo Nahmias.
Em publicação oficial, inclusive, a marca afirmou sentir-se “orgulhosa e honrada” por contribuir para a energia, narrativa e expressão artística dos shows através da moda.
A escolha reforça uma característica importante da relação do BTS com o fashion: embora trabalhem com grandes marcas globais, o grupo também utiliza a moda para valorizar designers contemporâneos e marcas com identidade própria.






Moda que aproxima palco e público
Além dos figurinos conceituais apresentados no comeback e na turnê, outro detalhe chama atenção na relação do BTS com a moda: a forma como o grupo incorpora peças das próprias merchs oficiais aos shows.
Durante momentos mais descontraídos das apresentações, os integrantes aparecem usando moletons, camisetas e acessórios vendidos para os fãs nas lojas oficiais da turnê. No entanto, muitas dessas peças recebem intervenções personalizadas feitas pela equipe de styling, com aplicações, pedrarias, nomes das cidades e elementos customizados especialmente para o palco.
Mais do que estratégia visual, essa escolha aproxima performance e público, transformando produtos oficiais em parte da construção estética dos shows. Ao mesmo tempo, a prática também conversa com a cultura do DIY e da personalização, cada vez mais presente na moda contemporânea e no streetwear.






Muito além da estética
No comeback do BTS, fica claro que a moda não ocupa um lugar secundário. Ao mesmo tempo, ela participa da narrativa, reforça conceitos, comunica individualidade e amplia o impacto emocional da performance.
Em um cenário em que grande parte da indústria ainda trata figurino como complemento visual, o grupo mostra que roupa também pode ser linguagem.
No fim, talvez seja exatamente essa construção estética, pensada nos mínimos detalhes, que transforma cada comeback, show ou turnê em um acontecimento cultural e não apenas musical.
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Escrito por Samara Marques I Editado por Ana Carolina Gomes


