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O QUE DEVEMOS ESPERAR DE O DIABO VESTE PRADA 2?

Para quem ainda não assistiu ao filme, reunimos aqui nossas expectativas para a sequência mais aguardada pelos amantes do universo fashion. O Diabo Veste Prada 2 estreia oficialmente nos cinemas em 30/04/2026 e já promete movimentar fãs, fashionistas e toda uma nova geração apaixonada por moda.

Existem filmes que se conectam com o telespectador instantaneamente. Alguns preferem um drama filosófico, já outros um cult intelectual. Para ser sincera, sempre fui do time das comédias românticas, não apenas por ser uma sentimentalista incurável, mas principalmente pelas protagonistas e como elas se descobrem, declinam e se reinventam em meio aos desafios da vida adulta recém-chegada.

Esses clichês apresentavam um mundo adulto cheio de possibilidades, sempre com uma abordagem leve e divertida, totalmente diferente do que nossos pais alegavam ser quando chegasse nessa fase. Sermões como “aproveita enquanto pode, pois quando ficar mais velha toda essa magia some”, não condizia com as personagens descontraídas, atrapalhadas e corajosas que assistíamos nas telas. Era como se cada história fosse um universo novo para explorar e se inspirar.

Em parte, nossos pais não estavam tão errados assim, mas hoje, mesmo adulta, continuo a consumir essas mesmas obras, pois elas carregam um conforto próprio que somente a boa e velha nostalgia consegue proporcionar.

Com O Diabo Veste Prada (2006) é exatamente assim. E, lendo diversas análises e comentários a respeito, vejo que para muita gente também. Sabemos que o filme é uma sátira da indústria da moda e principalmente do mercado editorial dos anos 2000, mas ainda assim, em meio aos problemas e turbulências da trama, os amantes de moda desde cedo encontraram na história e nos personagens icônicos, um sentimento de pertencimento.

Divulgação/Reprodução “O Diabo Veste Prada” (2006)

Naquela época, trabalhar com moda era algo irreal e inalcançável. As revistas sempre estiveram no topo da cadeia da sociedade, totalmente exclusivas e elitizadas. Quando nos foi apresentada a trajetória de uma garota recém formada em jornalismo com seus 26 anos entrando em uma revista conceituada como a Runway e conseguindo superar todos os obstáculos com determinação, acendeu uma chama dentro de cada jovem que sempre sonhou em trabalhar com comunicação de moda, mas que, de alguma forma, sentia que nunca conseguiria.

Hoje, depois de 20 anos, a sequência do longa ganha forte notoriedade, porque filmes como O Diabo Veste Prada não tem um impacto por acaso, afinal, se tornou parte da cultura pop e é lembrado por suas cenas icônicas até os dias atuais nas redes sociais.

Em dia de MET Gala, o que não falta é a encarada de cima a baixo da Miranda Priestly em looks que não agrada tanto a galera, ou então o icônico “I love my job. I love my job. I love my job” da Emily Charlton. A cena das diversas trocas de roupa de Andrea Sachs, em meio a caótica Nova York, ao som de Vogue da Madonna, também é lembrada com carinho. Tudo isso mostra a grandiosidade da obra que, por consequência, conseguiu furar bolhas, alcançando assim um público diverso.

Mas o que devemos esperar dessa continuação?

Com base nos trailers e nas expectativas dos internautas nas redes sociais, O Diabo Veste Prada 2 irá retratar como se encontra o mercado editorial de moda nos dias atuais. É inegável que ele não permanece o mesmo que de 20 anos atrás, já que com o avanço tecnológico impactou diretamente em diversas áreas corporativas e o jornalismo de moda foi uma delas.

As revistas físicas passaram a ser um artigo de colecionador e deram lugar aos meios digitais de produção de conteúdo e entretenimento. Os grandes veículos de comunicação se moldaram a uma geração que valoriza mais as plataformas online, exigindo que elas ofereçam mais do que apenas notícias, análises de tendências e cobertura de desfiles, mas também conteúdos criativos, que vão além do tradicional, misturando lifestyle e comportamento.

Não é à toa a ascensão das influenciadoras na indústria da moda e como elas estão ganhando cada vez mais relevância, visadas por grandes marcas para divulgação de seus produtos e assim virando vitrines de consumo. Antes, essa publicidade e patrocinadores estavam intrínsecos as páginas das revistas, porque elas eram o principal meio de divulgação. Mas agora, as redes sociais assumiram o lugar.

Divulgação/Reprodução Trailer “O Diabo Veste Prada 2” (2026)

E como ficam os jornalistas de moda no meio disso tudo?

Acredito que seja exatamente esse o ponto chave do filme: refletir como Miranda Priestly, editora chefe da prestigiada Runway, irá lidar com a perda de influência e encarar a nova realidade, tendo em vista sua experiência vasta apenas no formato tradicional, considerado atualmente como algo “ultrapassado”.

Por outro lado, seria interessante mostrar também a situação que fica os diversos profissionais que trabalham nos bastidores e que são peças primordiais para a revista acontecer. São muitas camadas que precisam ser pontuadas quando a ambição da trama é justamente retratar um modelo de mercado contemporâneo que já está acontecendo. Não é algo irreal ou distópico, mas sim, um espelho da realidade.

Divulgação/Reprodução “O Diabo Veste Prada” (2006)

Mas fiquem calmos futuros jornalistas de moda! Não vamos ser melodramáticos, para tudo se dá um jeito. Revistas renomadas como Vogue, ELLE e Harper’s Bazaar conseguiram se reinventar e continuam relevantes até os dias atuais, através de seus conteúdos digitais, recorrendo a uma nova abordagem e a novos profissionais antenados, como os Social Media. O jornalismo de hoje não é o mesmo de décadas atrás e com certeza será diferente do que está por vir num futuro próspero. Tudo está em constante mutação e o que nos resta é acompanhar.

Sabemos que essa sequência dificilmente irá superar a primeira obra, mas talvez esse nem seja o real propósito. São duas décadas de um filme que conquistou milhares de fãs de todas as idades e profissões, vai muito além do tópico moda, aborda temas do cotidiano profissional: exigência de superiores, abdicação da vida pessoal em benefício da profissional, resiliência e comprometimento diário.

Andy chegou à Runway de uma forma e saiu de outra completamente diferente. É sobre como o ambiente que você habita pode te transformar – tanto para mal quanto para bem, só você pode decidir isso, por quanto tempo consegue aguentar e como pode dar a volta por cima.

Além de tudo isso, mirando no contexto jornalístico da coisa, esse retorno é importante porque já está evidenciando debates sobre o cenário da comunicação de moda atual. E, quem sabe, como no primeiro filme, essa sequência nos dê um abraço carinhoso como lição de moral, e uma mensagem no final de que, apesar das mudanças parecerem assustadoras e irreversíveis, tudo ficará bem.

Escrito por Giovanna Té Bassi | Editado por Flávia Pereira

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