O papel dos embaixadores das marcas de luxo
As representantes das grifes marcam presença frequentemente nos desfies e campanhas, porém porque essa posição existe?

Crédito: Simon Porte Jacquemus (Reprodução: Instagram)
No dia 23 de janeiro, a maison francesa, Jacquemus, anunciou a sua primeira embaixadora. Apesar da quantidade de conexões com celebridades do diretor criativo, Simon Porte, a escolhida foi sua avó, Liliane Jacquemus. Essa decisão de transformar alguém no ‘rosto da empresa’ está em alta entre as grifes do mundo inteiro, os maiores nomes do mercado já têm suas queridinhas, que na maioria das vezes estão em ascensão em suas carreiras pessoais. Mas por que as empresas escolhem essas representantes?
A escolha de um porta-voz não é algo novo, desde 1940 as estrelas de Hollywood posavam para empresas de cigarro, cartões e lojas de diversos setores. Nos anos 80 os esportistas levaram isso para o outro patamar, Michael Jordan não era só a cara da Nike, ele também virou um produto, com uma linha própria. Com isso, os executivos perceberam o papel das celebridades em atrair a população a consumir as suas peças, o conceito de garoto e garota propaganda permanente começou a se estruturar.
O primeiro caso de embaixador aconteceu na Omega, marca de relógio de luxo, que passava por problemas financeiros e em uma tentativa de aumentar as vendas, escolheu a modelo Cindy Crawford como rosto da marca para mudar o cenário econômico. Essa estratégia de branding se tornou popular entre as empresas, que também começaram a apadrinhar famosos para vender mais.
Este conceito foi se desenvolvendo mais durante os anos, as casas de moda começaram a procurar pessoas que não fossem apenas a cara, e sim a personificação de seus princípios. No âmbito fashion, isso é levado a sério, as embaixadoras precisam ter um relacionamento profundo, gostar e compartilhar da mesma visão das maisons. Esses representantes vão além de participar de campanhas publicitárias, eles precisam estar na primeira fileira dos desfiles, lançar e usar os produtos diariamente e postar sobre nas redes sociais.
No caso da Jacquemus, a escolha se alinhou diretamente com o conceito da marca. Fundada em 2009, com o objetivo de manter a memória da mãe de Simon Porte viva a mensagem que o fundador desejava passar era a essência das mulheres de sua vida: a classe descontraída sem formalidade e moderna. A decisão de sua avó como a primeira embaixadora prova isso, além de reforçar suas raízes com a família.
Esta conexão que o representante tem com a empresa e o diretor criativo também é vista na atual Dior com Jonathan Anderson. Em sua posição anterior o irlandês, escolheu a dedo os rostos da LOEWE, que na sua mudança para a tradicional maison francesa, ele levou junto. Atualmente, vemos Taylor Russell, Greta Lee e Drew Starkey como os rostos da marca, reforçando ainda mais a relação próxima que o Anderson passa com suas peças.
Por outro lado, a grife de Coco Chanel que foca na elegância e classe feminina, mas emancipatória, explora esse conceito em diferentes formas em suas representantes. Nicole Kidman e Ayo Edebiri transmitem imagens contrastantes com o seu estilo, porém ambas passam a mesma mensagem que a francesa criou: modernidade junto com a graciosidade.
No final das contas, tanto a empresa, quanto os famosos ganham bastante com esta parceria. Além de terem um patrocínio constante com uma grife influente, inicia uma fama no cenário da moda, algo que ajuda bastante no sucesso das celebridades. Para os grandes labels, essa conexão traz credibilidade e os aproxima do público, que muitas vezes vê essas companhias como intocáveis e quando veem um rosto conhecido que já se simpatizam, passar a ter um outro olhar para as marcas, podendo até mesmo se tornar futuros consumidores.
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Escrito por Isabela Nascimento I Editado por Ana Carolina Gomes


