Sob direção criativa de Chemena Kamali, a Chloé trouxe camadas etéreas, volumes suaves e referências ao passado da maison para as passarelas.
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PFW26: Chloé reafirma espírito boêmio em nova coleção de inverno

Na última quinta-feira (5), durante a Semana de Moda de Paris, a Chloé apresentou sua coleção de inverno 2026 sob o olhar de Chemena Kamali. Nas passarelas, veio mais uma reafirmação do universo que a estilista vem reconstruindo desde que assumiu a direção criativa da maison: um romantismo boêmio que dialoga diretamente com o DNA histórico da marca.

Esse espírito apareceu nas silhuetas fluidas, volumes generosos e camadas leves que se moviam com naturalidade em Paris. Vestidos longos, blusas esvoaçantes e peças de construção ampla reforçaram uma estética que parece sempre em movimento, evocando uma feminilidade livre, solar e despretensiosa.

O resgate do boho chic 

Kamali tem olhado com atenção para o próprio passado da Chloé. Nesta temporada, parte desse exercício se manifesta em releituras de peças encontradas nos arquivos da maison — muitas delas do período em que Karl Lagerfeld esteve à frente da direção criativa, entre as décadas de 1960 e início dos anos 1980.

Não se trata porém de uma reprodução literal. As referências surgem reinterpretadas: vestidos amplos, mangas dramáticas, babados delicados e detalhes artesanais aparecem atualizados em proporções contemporâneas e super atuais. O resultado reforça a sensação de continuidade entre passado e presente, e posiciona a Chloé como uma marca que revisita sua própria história sem perder o frescor.

Conhecida por ter ajudado a consolidar o estilo boêmio nas décadas de 1960 e 1970, a Chloé volta a esse imaginário para construir sua narrativa atual. Elementos associados aos ideais do movimento hippie — liberdade, natureza e espírito comunitário — permeiam a coleção, mas surgem traduzidos de forma refinada.

Vestidos etéreos, tecidos leves e sobreposições delicadas criam uma sensação de leveza mesmo dentro de uma coleção de inverno. O jogo de camadas aparece como ferramenta de styling e construção, permitindo composições que equilibram textura e movimento sem pesar visualmente.

Rituais, celebrações e memória

Outra dimensão importante da coleção está na ideia de celebração coletiva. Kamali se inspirou em rituais sociais e tradições populares, especialmente festas e celebrações folclóricas de diferentes regiões da Europa, para explorar o papel que as roupas desempenham nesses contextos.

Essa referência se manifesta em detalhes que evocam o artesanal e o cerimonial: rendas, transparências, volumes dramáticos e elementos decorativos que remetem aos trajes festivos ou tradicionais, ainda que reinterpretados dentro de uma linguagem contemporânea.

Entre tradição e frescor, o legado Chloé segue intacto

Desde que chegou à Chloé, Kamali tem se dedicado a reconstruir o universo simbólico da marca. Em vez de buscar rupturas radicais, a estilista aposta em aprofundar o repertório que tornou a maison reconhecida: uma moda feminina, fluida e carregada de romantismo.

No inverno 2026, essa visão aparece mais madura e segura. Entre referências históricas, espírito boêmio e camadas fluidas, a coleção reforça a identidade da Chloé e consolida o caminho criativo que Kamali vem traçando: um retorno às origens da marca, reinterpretado para o presente.

Reprodução: Instagram @chemena

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Escrito por Mayla Shiva I Editado por Ana Carolina Gomes 

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