A moda está transformando o uso do couro
A busca por práticas sustentáveis tem levado a indústria da moda a repensar materiais. Entre as iniciativas, está o reaproveitamento do couro, que eram descartados e hoje se transformam em acessórios e novos produtos. Ao mesmo tempo, materiais de origem vegetal surgem como opções para reduzir os impactos ambientais.
Quando o resíduo vira oportunidade
Alessandra Mattos, trabalha com sobras de couro de indústrias, como curtumes, fabricantes de calçados, setor moveleiro e até vestuário. Para a seleção, é analisado cada material, verificando sua qualidade, textura, espessura e cor. Atualmente, o consumidor quer saber quem fez o produto, como foi feito e qual história existe por trás da peça.

“Quando uma cliente entende que está levando uma bolsa artesanal, ela não compra apenas um acessório. Ela leva consigo uma história, um propósito e muito carinho colocado em cada detalhe. O maior desafio é crescer sem perder a essência. Produzir em grande quantidade é possível; difícil é crescer mantendo qualidade, exclusividade e alma. ”, comenta Alessandra.

A moda circular na prática e a importancia da economia circular
A moda circular é um modelo de produção que busca manter materiais, produtos e recursos em uso pelo maior tempo possível, reduzindo o desperdício e a geração de resíduos. Ao contrário do modelo tradicional da moda, conhecido como economia linear, que segue a lógica extrair – produzir – consumir e descartar, a moda circular propõe um ciclo mais sustentável: produzir → usar → reutilizar → reparar → reciclar → transformar → voltar ao ciclo produtivo
Enquanto a moda circular se aplica especificamente ao setor da moda, a economia circular é um modelo econômico que busca eliminar o desperdício e manter produtos, materiais e recursos em uso pelo maior tempo possível. Alessandra é um bom exemplo de reaproveitamento do couro animal. Mas, também temos o couro vegetal, feito através de plantas e fibras.

Inovação dos materiais e o futuro da moda
No Brasil, já existem várias marcas que estão trabalhando com esse tipo de couro. A maior parte do couro vegano é feita de poliuretanao, um plástico derivado de combustíveis fosséis. Alternativas à base de plantas, como o couro do abacaxi já existem, mas o couro cultivado em laboratório está transformando toda a indústria. Um exemplo é:
Levmi.br – Trabalham com couro vegetal feito através da coroa do abacaxi e da fibra da fruta. Eles pegam a coroa, secam e desfiam, vai para uma maquina que forma uma placa desse couro. A fibra de abacaxi tem uma textura única. Os produtos são importados da Pinãtex, que é uma alternativa sustentável e vegana do couro, criada pela engenheira espanhola Carmen Hijosa.
“Queríamos muito ter um produto sustentável, então achamos esse material que além de ser vegano, é escalável. E nessa linha da Levmi, procuramos não usar nenhum material sintético ou plástico. Eu e o meu sócio Michel Bachmann, criamos a Levmi com a ideia de ter produtos multifuncionais, mas também temos essa preocupação com a sustentabilidade, por isso criamos essa linha com a Piñatex”, comenta Selma Gondo, co – fundadora da Levmi.

Embora desafios como escala de produção, custos e acesso a novas tecnologias ainda façam parte da realidade do setor, a transformação já está em curso. Mais do que uma tendência, o reaproveitamento de materiais e a busca por novas matérias-primas apontam para uma moda cada vez mais alinhada aos princípios da economia circular, onde criatividade, responsabilidade e inovação ocupam o mesmo espaço.
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Escrito por Rafaela Grande I Editado por Ana Carolina Gomes


