A moda se reinventa através dos brechós do Rio
Comportamento,  Moda

Brechós do Rio: Como a moda de segunda mão contribui para a economia circular?

Pesquisas mostram que feiras, brechós e bazares são uma alternativa para evitar o descarte têxtil. A cidade do Rio mostra a importância da moda circular, da sustentabilidade e do consumo consciente através dos brechós, feiras e bazares.

Segundo a matéria do site O Globo e uma pesquisa realizada pelo SEBRAE/RJ, o mercado de brechós na cidade cresceu mais de 50% após a pandemia. A compra e a revenda de roupas usadas oferecem uma alternativa para prolongar a vida útil das peças e reduzir o descarte têxtil.

Brechós no Rio de Janeiro
Feira vintage sob os arcos de pedra. Foto. Pexels: Sarah O’Shea

Caroline Lardoza, historiadora de moda pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que os brechós podem contribuir para uma moda mais consciente e acessível. “Se a gente tem dúvidas do que fazer com uma peça, o brechó é uma via possível e acessível. Observa-se um crescimento dessa economia circular, com dados de levantamentos do SEBRAE e de projetos como o SEBRAE Moda Circular Rio de Janeiro, que têm mobilizado vários empreendedores do setor”, completa Carol.

Além da possibilidade de reutilizar roupas, eles podem movimentar atividades ligadas à economia criativa, como curadoria, pesquisa de peças, composição de looks e customização. A revenda também pode gerar renda e ampliar as possibilidades de circulação de produtos que já existem.

Objetos antigos em brechós no Rio de Janeiro
Objetos antigos a venda em feiras. Foto Reprodução Freepik

Para Gabriela Martinez, fisioterapeuta, “os brechós são muito importantes, pois podemos encontrar roupas novas ou seminovas, de marca, mas com preços acessíveis em relação às lojas que vendem as mesmas peças. Infelizmente, ainda existem muitas pessoas sem condições de comprar roupas. Esses bazares e brechós também fazem esse papel, de ajudar a quem precisa. E é sempre bom poder renovar o guarda – roupa, reciclar as peças que já não são mais usadas”, comenta.

A revenda sustenta pequenos negócios, iniciativas digitais, além de criar oportunidades de trabalho. O garimpo permite recuperar peças de outras épocas, valorizar estilos individuais e atribuir novos usos a roupas que já existem.

“O advento da rede social possibilitou uma discussão sobre novas possibilidades de se imaginar uma moda mais democrática e inclusiva. Então passa de um empreendimento familiar, pequeno e local para ter âmbito nacional. E isso faz com que as pessoas ampliem a discussão e a possibilidade de comprarem dentro dessa esfera da circularidade”afirma Caroline Lardoza.

Matheus usa bermudão camuflado Monausa (@monausaa). Foto: Kevin Peclat (@peclatkev).

Matheus Inácio, designer pela UERJ, criou em 2025 um mapa de brechós. “Hoje o mapa conta com +700 pontos cadastrados. Os brechós se distribuem em 4 categorias: brechó raiz, com curadoria, feiras, e brechós e bazares de instituições religiosas. O mapa contempla Zona Norte, Sul, Oeste, Baixada Fluminense, Niterói, São Gonçalo, bem como possui pontos em Cabo Frio e em Nova Friburgo inseridos por moradores de lá. O que mais me atrai é encaixar no meu repertório uma peça que já tem história. Essa é a graça”, conclui Matheus.

Mapa dos brechós criado por Matheus Inácio. Foto: arquivo pessoal!

Os brechós representam novas possibilidades de consumir, empreender e se relacionar com a moda. Embora a revenda não resolva os impactos ambientais da indústria têxtil, valorizar o que já existe é um passo importante para repensar hábitos de consumo e ampliar o espaço da sustentabilidade no cotidiano.

Escrito por: Rafaela Grande | Editado por: Flávia Pereira

Sou jornalista e assessora de imprensa. Adoro contar boas histórias. Gosto de escrever sobre moda, sustentabilidade e empreendedorismo.

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