Erupcja, novo filme de Peters Ohs, traz Charli XCX como protagonista
Novo filme de Peter Ohs, estrelado por Charli XCX retrata com elegância a efervecência e explosão da amizade feminina
“Erupcja”, que em Polonês significa “erupção”, é o mais novo filme dirigido por Peter Ohs e escrito com contribuição do elenco principal: Charli XCX, Lena Góra, Jeremy O. Harris, Will Madden, e também pelo diretor do média-metragem.

Lançado em 2025, a produção só chegou às terras tupiniquins em maio deste ano, após passar por diversos festivais de cinema, incluindo os de Toronto, Guadalajara, SXSW, Miami e Indie Lisboa.
A trama acompanha Bethany (Charli XCX) e seu noivo Rob (Will Madden) em viagem para Varsóvia, Polônia, onde ele pretende propô-la em casamento. No entanto, tudo muda quando Bethany reencontra uma amiga de longa data, Neil (Lena Góra), e um vulcão entra em erupção.
O enredo de Erupcja
Bethany sabe que será pedida em casamento, mas não se sente preparada para o compromisso — “o problema é que com ele a terra não treme”. Ela procura Neil, sua amiga de infância, que está vivendo um momento conturbado com sua ex-namorada. A partir daí elas vivem a ebulição e o instinto incontrolável que as erupções vulcânicas lhes causam. Entre baladas e drogas, elas se permitem ceder a seus instintos mais viscerais, sem notar a destruição que causam no caminho.
Com apenas setenta e dois minutos, Peter Ohs consegue nos transportar para as atmosferas do filme sem perder a elegância nem a curiosidade, trazendo analogias interessantes sobre escuridão e egoísmo, ao passo que possui uma fotografia clara, entre tons pastéis e cores vibrantes. Representando, assim, uma metáfora para o estado emocional dos personagens, que se alteram entre o êxtase, o tédio e a escuridão.

O elenco principal
Apesar de ser estrelado por Charli XCX, o filme se expande para muito além da cantora, que se encontra completamente diferente da Charli que conhecemos dos palcos. Assim, a história e as vivências de Bethany e Neil se tornam mais interessantes que a atriz. Apesar de atuar muito bem, Charli teve seu estrelato ofuscado pela excelente interpretação de Lena Góra, magnética até mesmo nas expressões mais banais.

Referências e construção
Muito bem construído em questões de analogia, construção de personagens e fotografia, o filme parece ser uma releitura pós-moderna do Clássico “Chungking Express”, de Wong Kar-wai, por conta dos jogos de câmera, principalmente nas cenas em que os atores estão no metrô. Mas também por conta da fugacidade que as relações apresentam e seus encontros e desencontros. “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” também entra na lista, por conta de sua narração atenta a pequenos detalhes, à primeira vista insignificantes, mas que abrem espaço para uma leitura mais tridimensional dos personagens.
O longa consegue abordar de forma elegante e discreta a erupção do encontro entre duas amigas, como também os estragos causados por ele. Expurgando tudo que estava guardado dentro das personagens, seja o amor ou a inexistência dele.
Nota 4/5
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Escrito por: Millena Santiago | Editado por: Maria Clara Machado


