Moda

Diretores criativos que foram além da moda para criar suas coleções

Reprodução: Instagram/_subtledolce_, bohdanovbo, zegalba

A arte sempre foi vista como forma de trazer a subjetividade humana para a realidade ou mostrar as emoções dos artistas. No âmbito fashion, vemos que as peças manifestam, na maioria das vezes, o que os criadores acreditam e como os consumidores são.

Este processo é cansativo, principalmente quando os designers criam mais de duas coleções com 30 peças por ano. Isso obriga as maisons a sistematizar as produções criativas, mas nem sempre dá certo. Na cartilha da Haute Couture da Schiaparelli desta última PFW, Daniel Roseberry relatou como tentou seguir o mesmo caminho da última temporada mas não deu certo. 

“Ao tentar recriar o que eu pensava ser uma fórmula vencedora, entrei em negação e sofrimento, criando um ciclo onde nada de novo tinha espaço para surgir”. Roseberry completa dizendo que na tentativa de controlar o processo criativo,  ele reprimiu não só ele mesmo, mas também o trabalho.

Quando ele se rendeu, tudo começou a fazer sentido e a coleção de outono inverno de 2027 nasceu. Não há método certo ou errado, a moda é uma exploração ao abstrato e uma tentativa de contar uma história diferente a cada coleção. Alguns diretores criativos vão a lugares inimagináveis para criar, trazendo em cada temporada algo novo e impactante.

O Fashionlismo fez uma lista de desfiles que exploraram temas ousados, criando momentos icônicos na moda internacional.

Robert Wun: Autumn Winter 26 Couture

Um exemplo recente é a última coleção de Robert Wun. O designer é conhecido por navegar em lugares fora da moda, criando peças que não se preocupam em vestir suas modelos do jeito “certo”. Segundo a entrevista dele para a 10 Magazine, as pessoas precisam ser transportadas para outro mundo, sem lembranças da realidade. Essa é toda a beleza do escapismo na moda. 

Nesta temporada de alta costura, Wun mostrou isso com sua viagem no tempo para os tempos de brincadeiras de infância. As peças estavam acompanhadas de ursos de pelúcia, ornamentos de bexigas, formatos diferentes e explosões de cores.  

Marc Jacobs: Spring 2025 Ready-To-Wear

Ativo há mais de 30 anos na indústria, as coleções do americano ainda são um respiro refrescante no universo da moda. Durante esse tempo, ele já se aventurou em diversas estéticas e formatos diferentes dentro e fora de sua marca. Em 2025, Marc ficou mais abstrato na coleção de primavera/verão. Intitulada como “Courage”, foi baseada no medo e na liberdade, em suas próprias palavras, “Cheguei à conclusão de que o medo não é meu inimigo, é um companheiro necessário para a criatividade, a autenticidade, a integridade e a vida”.

Esses sentimentos são claramente vistos em todas as peças nas silhuetas diferentes e volumes. Jacobs descartou o clássico e os padrões convencionais, transformando suas modelos em bonecas na passarela. Em um momento de conservadorismo na moda, ele não hesitou em se reinventar.

Dilara Findikoglu: Spring Summer 2026

Na London Fashion Week, Dilara sempre traz uma versão própria sobre feminilidade, explorando a sensualidade de um jeito mais rústico e ousado, inspirado por Vivienne Westwood. Dedicada para todas as mulheres que nunca tiveram permissão para se expressar, Cage of Innocence explora a inocência e pureza de um jeito corrompido e abstrato, como se fosse uma releitura.

Os corpetes brancos beges e cerejas estão acompanhados de cortes sensuais, transparência, tons vermelhos e pretos, que sempre foram associados ao pecado.

Thierry Mugler: Spring Summer 1997 haute couture

Em suas inspirações, Mugler sempre buscava dentro de fetiches referências para suas peças grandiosas e magníficas, mas ele também explorou lugares desconhecidos para criar suas peças. Na temporada de primavera verão de 1997, Thierry escolheu explorar o mundo dos artrópodes na alta costura.

Les Insectes se questiona: se esse inseto fosse uma roupa como seria? Os resultados foram capacetes e olhos com grandes olhos, corset feito para uma abelha rainha, vestidos coloridos como borboletas e capas similares a pares de asas.

Dior: Autumn Winter 2000 Haute Couture

Desde o início de sua carreira, John Galliano sempre foi atraído por referências impactantes. Quando ocupava a cadeira de diretor criativo da Dior, cada coleção tinha uma história inspirada em alguma estética ou sentimento como: rasta, pierced, newspaper entre outras.

Na alta costura, O britânico se arriscava ainda mais, criando a cada temporada uma coleção mais polêmica que a outra. Um desses desfiles que marcou a história da moda aconteceu em 2000. O show se iniciou com um casamento, os noivos, sacerdotes, madrinhas, padrinhos e convidados, mas ao andar da cerimônia, ela tomou um rumo diferente, explorando fetiches de diferentes jeitos, porém deixando claro o que cada peça significava. 

O ponto de galliano não era expor roupas para seus consumidores, e sim apresentar uma narrativa sobre desvios e desejos. Apesar disso, há um toque controverso na passarela, que para alguns indicava o destino do designer.

E, para ficar por dentro das novidades sobre conteúdos do mundo da moda, não deixe de acompanhar o Fashionlismo!  

Escrito por Isabela Nascimento I Editado por Ana Carolina Gomes 

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