Schiaparelli abre um portal para um novo mundo encantado
A temporada de Alta-Costura Outono-Inverno 2026/2027 começou nesta segunda-feira (6), em Paris, mantendo sua tradição: A Schiaparelli de Daniel Roseberry.
Desde que assumiu a direção criativa da maison em 2019, Roseberry transformou seus desfiles em um dos momentos mais aguardados desta semana.
Desde então, estabelecendo, assim, o tom da temporada, ao unir o surrealismo da marca a diferentes narrativas visuais que ultrapassam as roupas.
Schiaparelli, alta-costura 2026 e a Beleza do Improvável
Desta vez, a coleção “O Abismo” abriu a passarela com um mergulho naquilo que Daniel chamou de “beleza do improvável”, argumentando que a verdadeira inovação nasce justamente da disposição de acreditar na impossibilidade como parte do processo criativo.
Ao falar sobre o desfile Schiaparelli alta-costura 2026, o estilista revelou querer criar algo desconhecido, inclusive para ele:
“Nesta temporada, eu queria fazer algo que fosse um mistério para mim. Algo que eu não conseguisse nomear ou entender completamente.” — Afirmou.

Para explicar esse processo, Roseberry recorreu à expressão francesa l’appel du vide (“o chamado do vazio”), descrevendo a necessidade de abandonar fórmulas conhecidas e se deixar conduzir pelo “não explorado”.
Criatividade e imaginação como o verdadeiro luxo
Entre a “agonia” e o “êxtase”, temas centrais de sua coleção anterior, O Abismo (The Abyss) nasce justamente desse salto em direção ao inesperado.
E, depois de acreditar que havia encontrado a “fórmula perfeita” na temporada passada, Daniel Roseberry percebeu que a verdadeira criatividade se recusa a seguir regras.
No texto que antecedeu o desfile, Roseberry afirma que a alta-costura faz mais sentido hoje quando deixa de ser apenas um exercício de luxo e passa a assumir um compromisso com o encantamento.
O convite é para o público dar as mãos e saltar para um universo desconhecido, onde criaturas abissais, formas orgânicas e matérias inesperadas transformam a passarela em fantasia.
A narrativa da coleção parte justamente dessa queda rumo ao que não se sabe, onde a criatividade encontra espaço para existir sem limites.
Essa ideia ganhou forma em uma coleção que substitui parte dos tecidos tradicionalmente associados à alta-costura por materiais sintéticos como látex e silicone.
Com isso, a coleção propõe uma reflexão: o luxo está nos materiais preciosos ou na imaginação capaz de transformar o imaginário popular?

O Abismo trata a alta-costura como arte
As técnicas artesanais continuam sendo o coração da coleção:
- Bustos hiper-realistas e moldados em silicone;
- Estruturas metálicas e bordadas com pérolas;
- Tubos de crinolina esculpidos com volumes flutuantes;
- E tentáculos de látex, escamas naturais de peixe, flores preservadas e bordados em ouro deram vida às criaturas imaginadas por Roseberry.


As silhuetas esculturais dividiram espaço com franjas de cristais iluminadas, malhas douradas, volumes orgânicos e acessórios inspirados na vida marinha.
Tons de rosa-lagosta, menta e laranja contrastavam com o preto de alto brilho e o dourado característico da maison, criando uma atmosfera que parecia existir entre o fundo do oceano e um universo futurista.



Em uma época em que muitos ainda associam a alta-costura apenas à vestidos de gala, Roseberry faz o caminho contrário e levanta um outro olhar para a “fórmula” da Schiaparelli.
Não apenas com o surrealismo, mas com a coragem de confiar na intuição e no novo.
Em The Abyss, Daniel Roseberry segura a mão do público e abre a porta para o improvável – E é assim que ele nos leva ao seu processo criativo!
Escrito por: Júlia de Moura | Editado por: Alice Maria


