ALDA: como a Mondepars encontrou sua própria voz
Apresentada em São Paulo, a coleção “Alda” da Mondepars mergulha nas lembranças da família Meneghel para construir uma narrativa visual delicada e emocional. Referências à trajetória de Alda — artista, costureira e uma das principais inspirações criativas de Sasha — apareceram não apenas nas roupas, mas também na cenografia, na performance de abertura e na atmosfera construída ao longo da apresentação.

Mais do que exibir uma nova coleção, a Mondepars apostou em uma experiência imersiva. Antes mesmo da entrada dos primeiros looks, uma performance introduziu o universo da coleção, criando uma conexão emocional com o público e contextualizando a história que a marca contaria na passarela. Entre os destaques estavam peças que reforçam o caráter experimental da marca, como gravatas confeccionadas em madeira e golas incorporadas até mesmo em calças.
A madeira, aliás, surgiu como um dos elementos centrais da coleção. Presente em acessórios e detalhes dos looks, o material reforça a valorização do trabalho manual e dialoga com a proposta da marca de unir artesanato e sofisticação contemporânea.
Mais do que um recurso estético, esses elementos ajudam a reforçar uma linguagem que vem sendo construída desde as primeiras coleções da marca brasileira. Em “Alda”, porém, eles aparecem de forma mais madura e integrada, não apenas como detalhes de styling, mas como parte fundamental da narrativa apresentada na passarela. O resultado é uma coleção que consegue equilibrar conceito e produto sem abrir mão da coerência visual.
A crítica especializada também reconheceu essa evolução. Veículos de moda como a Elle Brasil, destacaram que a coleção representa um momento importante para a marca, que passa a apresentar códigos criativos únicos. Entre referências ao artesanato, à alfaiataria e à memória afetiva, a Mondepars parece encontrar uma linguagem própria — desafio que muitas grifes levam anos para consolidar.

Quando a moda vira narrativa
Para o influenciador de moda Lucas Brederodi, que acompanhou o desfile, a performance e a cenografia tiveram papel fundamental na construção da experiência proposta pela Mondepars.
“A performance e a cenografia antes do desfile tiveram um papel fundamental. Elas ajudaram a contextualizar a história de Alda e criaram uma conexão emocional com o público antes mesmo da apresentação das roupas”, afirma.
Segundo ele, foi justamente nesse momento que a coleção deixou de ser apenas uma memória familiar para ganhar novos significados.
“A forma como a história foi apresentada, junto da cenografia, fez com que ela deixasse de ser apenas uma memória pessoal da Sasha e passasse a despertar diferentes interpretações e emoções no público.”
Em um mercado marcado pela velocidade das tendências, a marca tem apostado na criação de códigos próprios, conectando produto, conceito e direção criativa em suas apresentações.
Brederodi acredita que “Alda” representa um passo importante nesse processo de amadurecimento.
“Acho que ‘Alda’ mostra uma confiança maior na identidade da marca. É muito difícil para qualquer marca construir uma linguagem realmente definida com tão poucos desfiles. Mas sinto que existe uma linguagem mais clara e consistente que reflete bastante esse momento de evolução.”

A percepção de Brederodi acompanha a leitura feita por parte da crítica especializada. Em análise publicada pela ELLE Brasil, essa foi a primeira coleção em que a Mondepars consolidou de maneira mais evidente sua identidade, por meio da repetição de códigos visuais que já começam a se tornar assinatura da marca.
A coleção sinaliza, para muitos observadores, um amadurecimento criativo da marca. A Forbes destacou a maturidade apresentada pela grife em apenas seu terceiro desfile, enquanto a CNBC observou que a coleção “Alda” da Mondepars demonstra uma marca cada vez mais consciente da própria linguagem estética.
Muito além da marca de Sasha
Desde seu lançamento, a Mondepars foi associada à figura pública de Sasha Meneghel. No entanto, a coleção “Alda” sugere que a marca está construindo um caminho próprio, apoiado em uma visão criativa consistente.
“O que diferencia a Mondepars é a forma muito genuína como essa narrativa é construída. Existe uma preocupação em criar uma identidade própria, mas sem parecer forçado. Tudo parece partir de uma intenção real, tornando a marca bem autêntica dentro do cenário da moda nacional”, avalia Brederodi.
Para o influenciador, a presença de Sasha continua sendo importante para a trajetória da grife, mas já não define sozinha o seu posicionamento. “A Sasha sempre fará parte da história da marca, mas a Mondepars vem construindo uma identidade própria. Existe uma visão criativa que vai além da imagem da Sasha.”

Esse movimento fica evidente justamente em “Alda”. Embora tenha origem em uma história íntima e familiar, a coleção consegue dialogar com temas universais, como memória, pertencimento e afeto.
“Afeto. Apesar de partir de uma história muito pessoal, a coleção conseguiu transmitir esse sentimento de uma forma muito universal”, resume.
Ainda jovem, a Mondepars segue construindo seu espaço na moda brasileira. Para Brederodi, o desfile aponta para um futuro promissor.
“Acho que a coleção “Alda”, da Mondepars mostra uma marca cada vez mais segura da sua identidade e da sua visão. Se a Mondepars continuar evoluindo nessa direção, tem potencial para construir uma trajetória muito interessante nos próximos anos.”
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Escrito por Murilo Bezerra I Editado por Ana Carolina Gomes


