As Collabs que vestem a torcida brasileira na Copa do Mundo de 2026
Às vésperas da Copa do Mundo, antes do apito inicial, a torcida brasileira já ocupa as ruas e as arquibancadas com um dos assuntos mais falados: os uniformes da seleção. Em seguida, fala-se sobre as camisetas de time, o que talvez nos leve diretamente a pensar: quais looks usaremos nos dias de jogos? O fato é que, ainda que o futebol insista em seu “estereótipo masculino” e recuse considerar assuntos “femininos”, é inegável que a moda ande junto ao esporte. Na verdade, essa relação nunca esteve tão forte.
Nesse ano de 2026, marcas brasileiras e internacionais apostam em coleções colaborativas que vão além da tradicional camisa da Seleção. Inspiradas pela cultura das arquibancadas, pelo streetwear e pelo chamado “Brasilcore”, essas collabs transformam o ato de torcer em uma experiência de estilo e reflete uma mudança na forma como o futebol é consumido.

Uma das parcerias que mais traduz essa tendência é a coleção entre Youcom e Guaraná Antarctica. A proposta mistura elementos da identidade visual brasileira com referências esportivas contemporâneas, resultando em peças como polos, baby tees e jaquetas com estética retrô. Resgatando símbolos ligados ao futebol nacional, em uma linguagem alinhada às tendências atuais.

A mesma lógica aparece na colaboração entre Renner e Guaraná Antarctica. Inspirada na moda esportiva das décadas de 1980 e 1990, a coleção aposta em conjuntos esportivos, modelagens amplas e acessórios que remetem ao universo do futebol sem reproduzir diretamente uniformes de jogo. Criando uma atmosfera de nostalgia cultural brasileira.

Entre os destaques, também, está a coleção “Torcida Farm Rio”, da FARM Rio, que leva para o universo da Copa a estética tropical característica da marca. As peças misturam estampas, cores vibrantes e referências à estética brasileira.

A Chico Rei, por sua vez, transformou uma das maiores discussões recentes do futebol brasileiro em produto. Após a polêmica envolvendo a possibilidade de uma camisa vermelha para a Seleção, a marca lançou sua própria versão da peça. A coleção brinca com os limites entre tradição e reinvenção, mostrando como o debate sobre identidade nacional também passa pela moda.

Já a parceria entre Levi’s e Piet aproxima duas referências de universos diferentes. De um lado, a tradição centenária do jeans da Levi’s; de outro, a estética urbana da marca paulistana Piet, conhecida já por suas conexões com o futebol. A coleção utiliza camisetas, peças em denim e elementos visuais inspirados nas arquibancadas para criar uma ponte entre o esporte e o streetwear contemporâneo.

Não é novidade que o futebol deixou de influenciar apenas o vestuário esportivo e passou a ocupar espaço nas passarelas, nas redes sociais e nas ruas. Nesse cenário, as cores da bandeira, os símbolos nacionais e a paixão pelo esporte tornam-se matéria-prima para marcas que enxergam na Copa uma oportunidade de reinterpretar a brasilidade.
O sucesso dessas collabs também acompanha o fortalecimento do Brasilcore, tendência que ganhou projeção internacional ao transformar elementos tradicionalmente associados ao futebol brasileiro em símbolos de moda. Assim, vestir verde e amarelo, hoje, ressignifica o sentimento de identidade nacional e faz da moda um lugar de pertencimento.

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Escrito por Júlia de Moura I Editado por Ana Carolina Gomes


