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Tecidos tecnológicos: o futuro da indústria da moda

A indústria da moda sempre foi associada a tendências e desfiles. Mas essa indústria carrega um dos maiores desafios ambientais por trás de tudo isso: Abafada pelo glamour, a cadeia têxtil enfrenta pressões para reduzir resíduos e adotar soluções sustentáveis. 

A indústria da moda e seu principal problema

Segundo a ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil: 

“o mundo produz mais de 170 mil toneladas de lixo têxtil por ano. Deste total, cerca de 20% são reciclados ou reaproveitados, mas 135 mil toneladas têm descarte inadequado em lixões ou na natureza”

Atacama Fashion Week, desfile protesto realizado neste deserto do Chile que se tornou ícone do principal problema da indústria da moda: o lixo têxtil
Lixão têxtil no Deserto do Atacama, Chile (Foto: Reprodução/Atacama Fashion Week 2024)

O planeta está contra o tempo…

Não há tempo para conversas, promessas ou falsas iniciativas das grandes marcas e indústrias!

De acordo com a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e a Agência Brasil – EBC:

“O Brasil descarta anualmente quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis. Segundo dados do setor, um rastro de poluição que a urgência climática não permite mais ignorar. Isto representa cerca de 5% de todo o lixo urbano do país.”

Mas ainda pode haver solução!

Junho, o Mês do Meio Ambiente, abre as portas para uma revolução que está mudando o fio da história.

Foto feita por IA: De um lado um exemplo da polução presente em nosso planeta, do outro uma poster informando sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
Imagem poluição e meio ambiente. (Foto:Reprodução/IA)

Mas, o que são os tecidos tecnológicos, inteligentes e biodegradáveis?

São materiais inovadores que possuem tratamentos especiais ou fibras de alta performance.

Embora as microfibras tenham surgido na década de 1970, o conceito engloba uma gama muito maior de funções, como por exemplo serem anti alérgicos, proteger contra raios UV e monitorar a frequência cardíaca.  

Fabricação de tecidos tecnológicos, a grande aposta para o futuro da indústria da moda
Fabricação de tecido tecnológico (Foto: Reprodução/SESI SENAI)

Inovação brasileira

A Startup brasileira BIOTECAM criou em 2020 o Texticel, tecido feito por bactérias, em laboratório.

A tecnologia busca reduzir impactos ambientais e ampliar a vida útil dos materiais têxteis, mostrando que a inovação sustentável também está sendo desenvolvida no Brasil. 

“Os tecidos biológicos e tecnológicos representam o futuro da moda. Estão surgindo materiais desenvolvidos a partir de micélio (estrutura dos fungos), resíduos de maçã, uva, algas, fibras da bananeira, e outras matérias-primas que buscam reduzir a dependência de recursos tradicionais. Um exemplo é o lyocell, produzido a partir da celulose de madeira em um sistema de circuito fechado, que recupera e reutiliza grande parte dos solventes empregados no processo. Esse é um caso interessante porque mostra que é possível unir inovação, desempenho e redução de impacto ambiental.

Existem soluções, mas precisamos avaliar a durabilidade, rastreabilidade, consumo de recursos, possibilidade de reciclagem e capacidade de produção em larga escala. A inovação é fundamental, mas acredito que o futuro da moda será definido por aqueles que conseguirem combinar menor impacto ambiental, viabilidade econômica e acesso em escala” – Afirma a consultora de moda circular Camila Giestas.

Já os tecidos biodegradáveis são feitos de matéria-prima natural, de fibras artificiais com base natural ou de fibra sintética quimicamente alterada para se decompor mais rápido. 

Conheça alguns deles:

Bolsa feita de fibra de abacaxi da marca brasileira Levmi
Bolsa feita de fibra de abacaxi (Print de um reel: Reprodução/Instagram @levmi.br)
  • Algodão Orgânico: Cultivado sem agrotóxicos.
  • Linho: Fibra natural, de alta durabilidade e biodegradabilidade.
  • Cânhamo: Cultivo sustentável que não exige produtos químicos.
  • Fibra de Bambu: Macia e de rápida renovação da planta.
  • Seda: Podendo ser de soja ou de laranja – Natural e resistente.
  • Fibra de bananeira: Fibra 100% natural, biodegradável e resistente
  • Poliamida Biodegradável: Desenvolvida para acelerar o processo de decomposição após o descarte.
  • Couro de abacaxi ou Pinãtex: É leve, durável, respirável e evita o desperdício de resíduos agrícolas.

E o futuro, como será?

Foto feito por IA de uma blusa cuja etiqueta indica que ela foi feita a partir de técnicas têxteis sustentáveis
Futuro da moda. (Foto: Reprodução/IA)

Especialistas alertam que a transformação do setor depende de uma ação conjunta entre indústria, poder público e consumidores. 

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, é mais do que uma data para refletir, é um momento para mostrar que a mudança acontece na prática. 

O mundo pede urgência, mas a moda parece já estar caminhando para materiais que consigam unir inovação, desempenho, viabilidade econômica e sustentabilidade.

Escrito por: Rafaela Grande | Editado por: Alice Maria

Sou jornalista e assessora de imprensa. Adoro contar boas histórias. Gosto de escrever sobre moda, sustentabilidade e empreendedorismo.

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