Harris Reed na Londres Fashion Week AW26: O Maximalismo Como Manifesto
No salão de baile do Claridge’s, envolto em luz difusa e névoa cênica, Harris Reed abriu a semana de moda de Londres com uma declaração inequívoca: o maximalismo não apenas sobrevive à era do quiety luxury, ele prospera! A coleção Multifarious AW26, apresentada no dia 19 de fevereiro, foi representada de uma maneira multifacetada, exuberante e, ao mesmo tempo, madura. O cenário foi uma escolha carregada de significado. O Claridge’s, ícone da elegância britânica, serviu de palco para Reed subverter a noção de grandiosidade clássica, não a rejeitando, mas reescrevendo seus códigos.




Observando as imagens do desfile, o que salta à vista é a coerência conceitual por trás de cada escolha estética. Em um dos looks mais impactantes da noite, um vestido longo preto de chiffon com corpete estruturado e detalhes de amarração lateral, quase como um exoesqueleto têxtil, sintetizando a linguagem de Reed: o corset não como restrição histórica, mas como arquitetura do corpo. A silhueta é ao mesmo tempo, escultural e fluída, o tecido pesado acima e etéreo abaixo, criando uma tensão visual que é a marca registrada do designer. Em contraste, os looks que combinam patchwork de estampas, animal print dourado, veludo azul-cobalto, tecidos florais sobrepostos, falam de uma pluralidade identitária que Reed nunca abandona. A coleção se apoiou fortemente em estampas exóticas de animais, detalhes de franjas e plumas, e decotes que variavam entre o arquitetônico e o clássico. Nessa junção, aparentemente caótica, há, na verdade, uma lógica rigorosa: a de que nenhuma identidade é única, e que a moda pode conter multidões.
Segundo o estilista, “It was really my personal take on maximalism. In the sense that through so many found objects and queer, bizarre and unique different ideas that you get to the most refined version of who you are”. Como a própria marca declarou após o desfile: “No mundo fluido de Harris Reed, o termo Bridal se refere ao indivíduo e à sua celebração do amor, abraçando noivas de todos os gêneros”. É uma declaração que vai além da moda, é uma proposta de mundo.


A coleção AW26 foi, em sua essência, sobre amplitude dentro de um nicho. Reed não diluiu sua identidade. As silhuetas exageradas, a corsetagem, o romantismo barroco, tudo segue presente. Mas há uma nova consideração aqui, uma sensação de que ele está esculpindo cada faceta possível do seu universo maximalista e autêntico, em vez de simplesmente aumentar o volume temporada após temporada. Em uma indústria obcecada com paletas neutras e o quiety luxury como antídoto para tempos difíceis, Harris Reed segue em direção oposta, e o faz com a precisão de quem entende que o exagero, quando abordado de uma forma inovadora, não é ruído. É a única linguagem capaz de conter tudo aquilo que precisa ser dito. Sobre corpos, sobre gênero, sobre desejo, sobre o direito de ocupar espaço de forma gloriosamente inegável.

E é assim que Harris Reed encerra, ou melhor, abre, mais uma temporada: com teatralidade calculada, política e plumas que pesam tanto quanto uma declaração. Até a próxima matéria Fashionlistas!
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Escrito por Yasmim Azevedo I Editado por Ana Carolina Gomes


