Richard Quinn transforma o glamour dos anos 80 em espetáculo na London Fashion Week
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Richard Quinn transforma glamour dos anos 80 em espetáculo na London Fashion Week

Para a Primavera/Verão 2027 em Londres, o designer britânico Richard Quinn levou vestidos de festa, flores, brilho e volumes ao universo de “Mirrored Garden”, encerrado por Helena Christensen.

Na contramão de uma moda que há algumas temporadas insiste em discutir o cotidiano, o conforto e a discrição, Richard Quinn continua interessado justamente no excesso. Assim, para a Semana de Moda de Londres, o designer britânico mergulhou no imaginário do glamour dos anos 1980 e transformou a passarela em uma espécie de camarim levado ao extremo. 

Espelhos, lustres e uma sequência de vestidos de festa construíram o cenário para uma coleção em que se vestir volta a ser, antes de tudo, um acontecimento. Batizada de “Mirrored Garden”, a apresentação explorou a relação entre o momento íntimo de se arrumar e o espetáculo de ser visto. 

A própria British Vogue descreveu a coleção como um estudo sobre glamour, reflexão e o ritual de vestir, partindo da intimidade do camarim até chegar à teatralidade do salão de baile. No centro dessa narrativa, Quinn colocou aquilo que já se tornou uma das marcas de sua produção: vestidos pensados para ocasiões em que a roupa não funciona como pano de fundo, mas como parte central da cena.

O cenário teve papel fundamental nessa construção. A apresentação aconteceu no Lindley Hall, em Londres, em um espaço revestido de espelhos e iluminado por grandes lustres. O ambiente refletia os vestidos de Richard Quinn à medida que eles atravessavam a passarela, multiplicando brilho, volume e movimento.

O glamour como linguagem

Richard Quinn não tentou esconder sua referência nesta temporada. O próprio designer resumiu a coleção nos bastidores como um exercício de “hyper-glamour”, inspirado no universo dos anos 1980. Nesse sentido, a década não aparece como reprodução literal, e sim no exagero das proporções, cinturas marcadas e na ideia de elegância deliberadamente dramática.

Na passarela, isso se traduziu em saias volumosas, cinturas ajustadas, mangas ampliadas, caudas e superfícies brilhantes. O drop waist, apresentado logo nos primeiros looks, tornou-se uma das construções recorrentes da coleção, enquanto veludo, cetim e paetês acrescentaram diferentes níveis de textura às silhuetas. 

O exagero também aparece na forma como Quinn trata o acabamento. Bordados, cristais, flores aplicadas e penas de avestruz ajudam a construir a própria arquitetura das peças. Em alguns vestidos, o brilho acompanha as linhas do corpo; em outros, se acumula sobre saias amplas e superfícies estruturadas. 

É uma abordagem coerente com o trabalho que o designer vem desenvolvendo desde a criação de sua marca, em 2016, aproximando referências de alta-costura de uma produção voltada para ocasiões especiais.

Flores: entre o romantismo e o drama de Richard Quinn

Se o glamour dá a estrutura da coleção, as flores funcionam como um dos elementos responsáveis por sua identidade visual. Assim, o elemento aparece em estampas e aplicações, criando um contraste interessante com a formalidade dos vestidos de baile e com o peso dos materiais.

Em vez de suavizar as peças, os elementos florais participam do maximalismo. Rosetas, aplicações e estampas botânicas convivem com veludo, cristais, luvas longas e volumes amplos. 

O resultado mantém uma das características mais reconhecíveis do designer: a capacidade de transformar uma referência tradicionalmente associada ao romantismo em uma imagem mais teatral e carregada.

A escolha do nome “Mirrored Garden” ajuda a entender esse encontro. O jardim aparece como fantasia, enquanto o espelho introduz a ideia de observação e representação. Portanto, a coleção explora um universo feminino tradicionalmente associado ao ato de se preparar para uma ocasião e o leva para uma escala quase cenográfica.

Vestidos para entrar em cena

Dos 42 vestidos apresentados na passarela, praticamente todos partem da lógica do occasionwear. Quinn já construiu uma clientela internacional em torno desse território, com peças destinadas a casamentos, tapetes vermelhos e grandes eventos. Dessa forma, a apresentação de Londres reforça essa vocação ao colocar os vestidos de festa no centro absoluto da narrativa.

Entre as silhuetas, aparecem vestidos longos de corpo marcado, saias amplas, construções em veludo, cetim drapeado e superfícies inteiramente trabalhadas com bordados e cristais. Luvas de ópera acompanham grande parte dos looks, enquanto botas de salto fino, incluindo versões em látex, introduzem uma tensão mais contemporânea em meio ao repertório tradicional do glamour.

Esse contraste é importante para entender a coleção. Quinn não abandona a fantasia do vestido de gala, mas adiciona elementos que afastam o resultado de uma reprodução puramente nostálgica dos anos 1980. O brilho convive com materiais mais provocativos, enquanto as silhuetas de baile são acompanhadas por acessórios que trazem uma leitura mais afiada para o conjunto.

Helena Christensen fecha o espetáculo de Richard Quinn em Londres

Para completar a narrativa, Helena Christensen foi escolhida para o encerramento. A supermodelo de 57 anos atravessou a passarela como o último capítulo de uma coleção que não tenta ser discreta. Seu vestido, elaborado com detalhes florais, colocou a modelo no centro de uma imagem pensada para funcionar tanto na passarela quanto no imaginário dos grandes eventos.

Helena Christensen encerra o desfile de Richard Quinn na LFW (Foto: Instagram)

A escolha também dialoga com a própria referência temporal da coleção. Christensen pertence à geração de modelos que ajudou a definir o imaginário fashion das décadas de 1990 e 2000. Já Quinn, recupera uma linguagem de glamour associada aos anos anteriores. O encontro entre os dois reforça a proposta de uma moda que entende o vestir como performance, ocasião e memória visual.

A coleção de Richard Quinn não tenta convencer ninguém de que o glamour precisa ser contido. Em uma temporada marcada por diferentes tentativas de redefinir o que significa se vestir para o presente, Quinn escolhe olhar para o prazer de se arrumar e fazer disso um espetáculo.

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Escrito por: Mayla Shiva | Editado por: Maria Clara Machado

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