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O Desejo por Permanência: A Mensagem de Dries Van Noten para o Outono 2026 em Paris

A nova coleção celebra o guarda-roupa afetivo, combinando experimentação visual e elegância madura por meio de peças feitas para durar.


A semana de moda de Paris sempre reserva espaço para o espetáculo, mas foi o silêncio poético de Dries Van Noten que marcou a temporada. A apresentação da nova coleção feminina reafirmou a imensa relevância da marca ao convidar o público para uma atmosfera de intimidade e reflexão.

Mais do que exibir tendências passageiras, o desfile materializou o conceito de um guarda-roupa afetivo, construído com base na memória e nos sentimentos: trata-se de uma elegância madura, que transita livremente entre um romantismo de melancolia sutil, a sofisticação urbana e o conforto absoluto.

Ao observar as modelos, a sensação era de deparar com roupas que já nascem com história, como verdadeiras heranças de família cuidadosamente guardadas em um armário de emoções.

(Reprodução/Instagram: @driesvannoten)
(Reprodução/Vogue Runway)

Silhuetas do desfile

Para construir essa narrativa, a marca apostou em silhuetas com ricas sobreposições volumosas. Casacos longos, capas envolventes e calças amplas dividiram o espaço com saias e vestidos fluidos.

(Reprodução/L’Officiel)
(Reprodução/L’Officiel)
(Reprodução/L’Officiel)
(Reprodução/L’Officiel)

Algumas peças principais resumiram o tom acolhedor da da coleção, como por exemplo casacos acolchoados que lembram antigas colchas de cama, os ricos tricôs e os casacos utilitários com um brilho muito discreto.

(Reprodução/L’Officiel)
(Reprodução/L’Officiel)

A grande mágica da apresentação, contudo, morava na arte da composição visual. A maneira de organizar as camadas brincou com o olhar, misturando perfeitamente a alfaiataria com tecidos suaves, sendo arrematado por uma junção rica de estampas e acessórios, destacando o uso inteligente de golas e cachecóis.

(Reprodução/L’Officiel)
(Reprodução/L’Officiel)

Cores, estampas e texturas

A coleção apostou em uma cartela de cores profunda e terrosa. Tons quentes e escuros serviram como base perfeita para contrastes suaves e pinceladas de cores mais intensas.

As estampas aparecem como um dos principais recursos da coleção, tratadas quase como lembranças impressas diretamente no tecido. Flores desbotadas e grafismos sobrepostos pareciam se esconder delicadamente debaixo de outros padrões, dando um charme único na coleção.

(Reprodução/Vogue Runway)
(Reprodução/Vogue Runway)

As texturas, por sua vez, reforçaram o aspecto tátil da coleção, convidando ao toque por meio de tricôs espessos, tecidos acetinados, tramas elaboradas e bordados pontuais que elevaram a experiência visual do desfile.

(Reprodução/Instagram: @driesvannoten)
(Reprodução/Vogue Runway)
(Reprodução/Vogue Runway)

Beleza natural em cena

Em sintonia com o clima intimista, a beleza das modelos caminhou na direção oposta de qualquer artificialidade. Os cabelos cruzaram a passarela com aspecto natural e textura suave, preservando um movimento real e totalmente livre de rigidez. Mesmo com algumas variações sutis de penteado, a aparência de autenticidade e simplicidade se manteve intacta.

(Reprodução/Vogue Runway)

A maquiagem acompanhou essa mesma leveza, focando em uma pele muito bem tratada e iluminada de maneira contida. Com toques suaves de cor nos lábios ou nos olhos, essa beleza silenciosa ajudou a manter todo o foco nas roupas e no discurso sensível da apresentação.

(Reprodução/Vogue Runway)

Moda como permanência

Em um momento em que a sociedade pede respiro, o desfile dialogou de forma exata com o desejo atual por conforto, permanência e profundidade, criando um contraste evidente e necessário com a moda descartável.

Mais do que cortes precisos e costuras bem feitas, o que se viu foi um belo manifesto poético sobre a trajetória da marca e o próprio momento da moda contemporânea. É a prova de que a maior sofisticação não está na busca incessante pela novidade, mas na forma como a moda tem a capacidade de traduzir tempo, memória e sensibilidade em uma peça de roupa.

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Escrito por Victória Parente I Editado por Ana Carolina Gomes 

Estudante de Design de Moda, com 20 anos, reside em Vitória, Espírito Santo. É apaixonada pelo mundo da moda e pelo processo de criação de um produto. Deseja levar conhecimento e informação sobre a área com uma visão criativa e fresca, unindo sua paixão pela moda com a escrita.