Chanel FW26: Matthieu Blazy faz mágica novamente
O que acontece quando dois gênios da moda se encontram? Bom, nasce a Chanel FW26, é claro. Nesta Paris Fashion Week, Matthieu Blazy prova que realmente é a pessoa certa para inovar em uma maison com tanta tradição e códigos fortes. Isso porque consegue, com maestria, reinventar silhuetas, modelos e stylings clássicos de Gabrielle Chanel, sem que pareçam uma caricatura do que uma vez foram.

Um tributo às criações de Gabrielle a sua altura
O desfile acontece em um Grand Palais cujas passarelas brilhantes e etéreas contrastam com os guindastes coloridos que as rodeiam. E essa parece ser a proposta da coleção: o contraste e o paradoxal.
Uma nova Chanel sob a direção de Blazy, mas que retorna e reverencia a obra de sua fundadora. Uma mulher Chanel que atravessa a cidade entre o velho e o novo, com uma elegância despretensiosa em meio ao caos urbano.

Assim, ao mesmo tempo que temos os clássicos tailleurs de Chanel, eles vêm em novas texturas, misturando estampas e combinados com tecidos improváveis. Contudo, tudo magicamente funciona, e é de um frescor revigorante.

Essa Chanel é FW26 ou FW1920? Ou os dois?
Fato é que o cós despencou na Chanel, e a silhueta dos anos 20’s é a aposta de Blazy para esse inverno. Ela vem em vestidos adornados com cintos que demarcam a cintura — alguns com saias plissadas semelhantes às da Miu Miu de 2022 — ou com botões que agregam atemporalidade ao visual.


Além disso, a inspiração nos anos 20’s também é percebida nos casacos longos extremamente leves e fluídos, típicos da época.


Um grande mix de estampas, texturas, bordados, e muito mais!
Matthieu se aventurou e tomou riscos quanto às combinações. Mas, como tudo na vida, quanto maior o risco, maior a recompensa, e, para a Chanel, a recompensa foi grande. Com isso, Blazy não se propõe a fazer uma coleção medíocre, mas uma icônica e memorável, e isso sempre exige experimentações estéticas fora da casinha.
Portanto, vimos tweeds xadrez com renda fina floral cintilante. Também vimos, por exemplo, um visual inteiro em cor de rosa, mesclando plumas, apliques de flores em 3D, tweed, rendas, e cetim (sim, tudo isso em um único look).



Porém, como defendido anteriormente, tudo orna, pois tudo se apresenta como uma unidade. Por isso, nada grita. Os materiais contrastantes não competem uns com os outros pelo seu olhar, mas se complementam.
Precisamos falar sobre os acessórios da Chanel FW26
As bolsas desta coleção são a síntese de toda a narrativa do desfile: são divertidas, ousadas e criativas.



Já os colares e brincos incorporam o espírito Chanel e provam que o clássico não vai embora, apenas se reinventa.


Agora, os sapatos são escandalosos (no bom sentido)!


Reprodução: Instagram @chanelofficial

Uma ode ao pretinho básico de Coco Chanel
Blazy encerra a coleção de inverno da Chanel com um tributo, em dois looks, às duas criações mais emblemáticas de Gabrielle: a petite robe noire (para os íntimos, o pretinho básico) e o tailleur, também em preto.
Contudo, o pretinho básico reinterpretado por Matthieu de básico nada tem. O modelito aparentemente simples revela uma camélia — símbolo da marca — nas costas nuas .

Esse encerramento marca o compromisso de Blazy com a identidade da maison, que é forte e inconfundível. Porque designers vem e vão, mas Chanel será sempre Chanel.
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Escrito por Carolina Coutinho I Editado por Ana Carolina Gomes


