Brazilcore é tendência: a cultura brasileira como estética global
O Brasil voltou ao centro dos holofotes internacionais, seja no cinema, nas premiações globais ou nos eventos esportivos que mobilizam o mundo. Tal visibilidade reacendeu o interesse pelas cores vibrantes, estampas tropicais e referências culturais brasileiras, agora ressignificadas pela moda e pela globalização. A cultura brasileira deixa de ser coadjuvante e passa a ditar tendências, transformando identidade nacional em estética global.

Diversidade cultural como base para a estética
Caracterizada pelo uso vibrante das cores, acessórios vistosos, referências a símbolos nacionais reinterpretados de forma contemporânea e estampas tropicais, a estética Brazilcore surge na plena tentativa de materializar a cultura brasileira, que sempre ocupou um lugar singular no cenário internacional por sua diversidade e homogeneidade.
A pluralidade cultural do Brasil reafirma-se na música, dança, culinária, no cinema, manifestações populares e, mais do que nunca, na moda. A expansão global da estética brasileira não se limita a um fenômeno passageiro, ela se reinventa na força da cultura brasileira como elemento de identidade, exportação simbólica e construção de imaginários globais.
O repertório cultural reconhecido mundialmente por sua energia e autenticidade, cria um terreno fértil para o surgimento de um processo de reafirmação cultural contínua e globalizada. Um dos fatores que contribuem para a disseminação dessa estética é a presença histórica do Brasil no imaginário global como um país associado à alegria, à festa e à criatividade. Eventos internacionais como Copas do Mundo, festivais de música, indicações ao Grammy e vitórias históricas no Oscar projetam imagens marcantes do país, consolidando elementos visuais e tornando-os reconhecíveis Brasil afora.
A redescoberta da paixão em ser brasileiro
Em novembro de 2025, a FutureBrand São Paulo, consultoria de branding ligada ao McCann Worldgroup/IPG, apresentou a segunda edição do ‘Tá Quente, Brasil! 2025’, um estudo que visa apresentar tendências e movimentos que estão moldando a visão do Brasil, especialmente nas mídias digitais.
Um dos principais pontos analisados é a reafirmação da força da identidade brasileira, tanto no cenário nacional como no internacional. O Brasil permanece sendo um país de exportação, agora para além do minério de ferro e soja, se tornando um exportador de ícones culturais, internacionalizando o seu modo de ver o mundo. Os brasileiros passam a valorizar cada vez mais as culturas regionais, estrangeiros se encantam com múltiplos Brasis, os quais ultrapassam os estereótipos do samba e do futebol.
A valorização de culturas, tradições e costumes que transcendem o eixo sul-sudeste do país recebem espaço para reforçar a pluralidade brasileira. Nessa transição da roupa para a identidade, o cidadão reencontra seu pertencimento, mudando a forma como enxerga a si mesmo e ao seu país.

Moda, indústria cultural e a estética globalizada
Transformadas em produtos de consumo e narrativas estéticas, peças antes associadas ao futebol ou ao cotidiano popular passaram a circular em passarelas, editoriais e coleções internacionais, adquirindo novos significados e status fashion. Esse movimento demonstra como a moda reinterpreta referências culturais locais, convertendo-as em tendências globais que dialogam com a ideia de identidade e conexão cultural.
A força dessa estética se amplia quando celebridades internacionais incorporam o estilo em suas aparições públicas. Artistas como Dua Lipa e Rosalía já utilizaram peças inspiradas nas cores e símbolos brasileiros, ampliando o alcance da tendência e acelerando sua difusão nas redes sociais e nas mídias de moda. Essa influência reverbera no consumo direto como chinelos com a bandeira nacional, também ocupam posições de destaque entre os itens de moda mais desejados do mundo, evidenciando a capacidade da cultura brasileira de influenciar o consumo global.
Revistas e veículos especializados em moda têm registrado o Brazilcore como parte do atual ciclo global de tendências, destacando o uso das cores da bandeira brasileira, referências ao futebol e elementos associados ao lifestyle tropical como marcas centrais dessa estética. A presença recorrente desses símbolos em editoriais, passarelas e produções de celebridades evidencia como a tendência deixou de ser apenas um fenômeno digital para se consolidar também no mercado fashion internacional.
Autenticidade cultural e projeção global
Outro aspecto relevante é a capacidade da cultura brasileira de dialogar com a ideia de autenticidade, conceito cada vez mais valorizado no ambiente digital contemporâneo. Em um cenário saturado por tendências rápidas e padronizadas, referências culturais que carregam histórias, tradições e significados coletivos tornam-se particularmente atraentes. O Brazilcore não se limita ao uso das cores nacionais; ele representa uma associação simbólica com a espontaneidade, a criatividade e a expressividade frequentemente atribuídas à cultura brasileira. A estética, portanto, deixa de ser apenas vestuário para atuar como ferramenta de expressão da identidade.
Somada à moda, a ascensão global da música brasileira atua como catalisadora desses ícones culturais. O sucesso global de gêneros como o funk brasileiro e o pop nacional, aliado à presença de artistas brasileiros em grandes eventos internacionais, contribui para a construção de uma imagem cultural contemporânea do país. O alinhamento entre música e moda impulsiona a consolidação de tendências, sustentando sua relevância de forma contínua.
A internacionalização do estilo brasileiro evidencia como a cultura funciona como vetor de influência estética em escala global. Mais do que uma tendência visual, essa estética revela a força do patrimônio cultural brasileiro como elemento capaz de inspirar narrativas, comportamentos e formas de consumo ao redor do mundo.
Ao globalizar a estética nacional, o Brazilcore revela o papel da indústria cultural como agente de legitimação. Mais do que difundir, ela ressignifica o cotidiano brasileiro, transformando-o em uma referência internacional de estilo e identidade.
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Escrito por Ana Duarte I Editado por Ana Carolina Gomes


