REDES DESCARTADAS GANHAM VIDA NA MODA
De acordo com pesquisas, existem mais de 150 milhões de toneladas de redes de pesca nos oceanos. O que poucas pessoas sabem é que parte dessas redes está ganhando uma nova vida pelas mãos de comunidades caiçaras e artesãos, que transformam resíduos em acessórios. Dentre todos os lixos, as redes de pesca fantasmas são as mais preocupantes.

Mas, o que são as redes de pesca fantasmas?
São equipamentos de pesca (como redes, linhas, anzóis e armadilhas) abandonados ou descartados que matam animais marinhos de forma descontrolada.
No Rio de Janeiro, o projeto Marulho Eco está mudando essa situação. A comunidade caiçara e artesãos locais estão transformando as redes em novos objetos de decoração e moda, dando valor e propósito a cada uma das peças.
Embora os órgãos públicos e Ongs entreguem as redes, eles avisam para o Projeto onde elas estão. Mas, a comunidade local também faz o recolhimento.

Como as redes ganham uma nova vida?
Depois de recolhidas, as redes seguem caminhos diferentes. Algumas são recicladas e transformadas em fios de nylon utilizados pela indústria têxtil. Outras ganham nova vida pelas mãos de artesãos, que produzem bolsas, acessórios e peças de decoração.
Após serem higienizadas, são transformadas em sacolas, bolsas e acessórios como a Redeco da Marulho. A Marulho é uma iniciativa de impacto socioambiental criada em 2019. Tem como objetivo retirar redes de pesca do ambiente marinho e transformá-las em novos produtos.

“O que analisamos é o tipo de rede, de malha, qual estado da rede, e se dá para fazer bolsas e sacolas. Quando ela está se desfazendo conseguimos reaproveitar triturando, derretendo, moldando em formatos variados para serem chaveiros, pingentes, entre outros, mas, olhamos também o grau de sujeira dessas redes, para ver qual nível de limpeza e higienização que devemos fazer”, comenta Samara da Cunha Oliveira, sócia da Marulho Eco.
Todo o trabalho realizado no projeto é artesanal e manual. Cada produto tem um ritmo. Se for simples, é possível fazer vários em um dia. Outros tem mais etapas, detalhes e demoram mais. Antes de serem reaproveitadas, as redes passam por um processo de limpeza e secagem. Só então seguem para a produção artesanal..
Ao todo são 6 mulheres na gestão, e 21 rendeiros e costureiras. Já são mais de 13 mil produtos confeccionados com as redes.
“De bolsas a chaveiros e sandálias – a gente troca a lógica do consumismo pela da ressignificação, através dos saberes de caiçaras e do trabalho de quem lida com a poluição marinha todo dia”, completa Samara.
Em um cenário em que milhões de toneladas de resíduos chegam aos oceanos todos os anos, iniciativas como a Marulho Eco mostram que moda, artesanato e economia circular podem caminhar juntos. Mais do que criar novos produtos, o projeto transforma resíduos em peças carregadas de história, preservando o meio ambiente e fortalecendo comunidades tradicionais.
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Escrito por Rafaela Grande I Editado por Ana Carolina Gomes


