Por que as vitrines de uma mesma loja mudam de cidade para cidade?

O vitrinismo, para quem não sabe, é a arte de expor seus produtos da maneira mais cativante e atraente que puder, para atrair a atenção dos consumidores.
Com relatos de que começou na Antiguidade, onde, na época, os comerciantes já valorizavam tecidos de cores vibrantes da região para atrair a clientela, eles mostravam amostras de tecidos na parte de fora para chamar a atenção de quem passava em frente. Já em 1838, a loja de departamentos Le Bon Marché, em Paris, inovou ao reunir variados produtos em um só lugar e adicionar janelas fechadas com vidros, revolucionando o mundo da moda e do marketing até os dias atuais.
Contudo, você já reparou, enquanto caminhava pelos corredores dos shoppings, como cada vitrine muda? Por exemplo, você pode observar a vitrine de uma loja e, na semana seguinte, ao visitar um shopping de outra cidade, encontrar a mesma loja, mas com uma vitrine totalmente diferente do que você viu há uma semana?
Isso porque cada uma possui uma identidade própria, mas para responder melhor sobre o assunto é importante ouvir quem entende do assunto. A Visual Merchandiser Kétilyn Silva, de 24 anos, diz que, para ela, a estratégia de uma vitrine vai muito além de deixar a loja bonita.
“A vitrine precisa contar uma história, despertar a curiosidade e fazer o cliente sentir vontade de entrar na loja.”
Ela acredita que uma vitrine eficiente precisa ter um objetivo claro, destacar os produtos certos, acompanhar o perfil do público e transmitir a identidade da marca de forma visual e emocional.“Quando existe equilíbrio entre composição, iluminação, cores, comunicação e produto”, afirma a profissional.
Por outro lado, existem erros mais comuns que ela observa, como excesso de informação visual, falta de identidade e vitrines sem ponto focal. “Muitas lojas acabam colocando produtos demais, o que faz o cliente não entender instantaneamente a proposta. Outro erro comum é não atualizar os ambientes e exposições com frequência ou não pensar no caminho que o cliente irá percorrer dentro da loja. O visual merchandiser precisa ser estratégico e não apenas estético. Cada detalhe deve facilitar a experiência de compra e valorizar o produto.”
Na prática, essas estratégias podem ser observadas em diferentes unidades da mesma marca, como a Renner, por exemplo. Enquanto a unidade de Praia Grande aposta em uma vitrine mais aberta e funcional, priorizando a visibilidade direta dos produtos.

As lojas localizadas em Santos tendem a investir em uma composição visual mais elaborada, evidenciando diferenças estratégicas de visual merchandising conforme o perfil do público consumidor.

Complementando essa visão, a visual merchandiser Stephanie Laruccia, de 26 anos, destaca que as vitrines também se adaptam de acordo com o comportamento dos consumidores de cada região. Segundo ela, marcas costumam enviar um layout base a ser seguido, mas imprevistos como atrasos no recebimento de produtos ou mudanças na seleção de peças fazem com que o visual merchandiser da loja precise adaptar a vitrine para que ela se aproxime ao máximo da proposta original.
A profissional também aponta que a liberdade criativa varia conforme o porte da marca.
“Em lojas menores, como as encontradas no Brás, por exemplo, os visuais têm mais autonomia para criar projetos com base em suas próprias referências. Já em grandes marcas, com um branding bem definido, existem normas mais rígidas a serem seguidas, garantindo um padrão entre todas as unidades da rede. Nesses casos, a liberdade criativa se limita a adaptações que mantenham a fidelidade à ideia original.”
Dessa forma, observamos o quão importante é o trabalho do visual merchandiser, pois, sem ele, as lojas de diferentes regiões não teriam uma identidade própria. Eles as tornam únicas e pertencentes àquela região, seja no Norte ou no Sul, cada uma tem uma cultura e estética diferentes. Como define a especialista em varejo Debra Templar:
“Se os olhos são as janelas da alma, então as vitrines das lojas são tão reveladoras quanto. Elas revelam a alma da loja.”
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Escrito por Luiza Zaninelli I Editado por Ana Carolina Gomes


