A fórmula da assinatura: o dilema de Richard Quinn
Na temporada Outono/Inverno 2026 da London Fashion Week, Richard Quinn apresentou uma coleção que, para uns, reafirma seu lugar como um dos designers mais teatrais da moda britânica contemporânea. Para outros, deixa um “gostinho de mais do mesmo” e levanta a questão: é possível mudar sem trair a própria linguagem?

Já conhecido por suas cenografias cinematográficas e por uma estética que flerta com a alta-costura, Quinn constrói uma narrativa visual imersiva. Ele mescla nostalgia e uma visão romântica da feminilidade, DNA da marca.
Da Alta-Costura ao Red Carpet
Silhuetas volumosas, dramáticas e estruturadas, com referências históricas dominam o desfile. Em seguida, elas evocam desde o vestuário aristocrático europeu até o imaginário bridal e red carpet. Assim, vestidos longos com saias amplas, mangas se juntando às luvas, corsets aparente e capas estruturadas dominam a coleção, reforçando a teatralidade como elemento central do discurso estético.

Há também a presença de peças mais ajustadas, explorando contrastes entre rigidez e fluidez, sugerindo uma tensão entre controle e fantasia. Trata-se de um tema recorrente na obra do designer. Ao mesmo tempo, a construção dos looks enfatiza a ideia de performance do corpo, transformando as modelos em personagens de um tableau vivo.

Os tecidos desempenharam papel fundamental na narrativa da coleção. Dessa forma, Quinn trabalhou com brocados, tafetás, rendas, veludos e tecidos estampados. Além disso, as estampas florais, assinatura do designer, apareceram em grandes quantidades, dialogando com referências vintage e com a tradição britânica de estamparia.


O dilema do DNA criativo
Apesar da recepção amplamente positiva em termos de impacto visual, a coleção reflete um dilema recorrente na trajetória de Richard Quinn: a percepção de que seu DNA criativo se tornou previsível. O romantismo floral, as silhuetas dramáticas e o imaginário aristocrático, embora coerentes e reconhecíveis, podem ser vistos como uma variação de fórmulas já consolidadas e que, hoje, talvez, limitem a criação e expansão da marca.
A crítica expõe uma tensão entre identidade e inovação, protagonizou a discussão na London Fashion Week, que busca se reposicionar como plataforma de experimentação política, estética e conceitual, em que a insistência em uma estética estável pode ser lida como conservadora, ou ao menos, limitante. Então, como inovar sem perder a identidade?

Se, por um lado, Quinn consolida sua linguagem como um autor da fantasia romântica contemporânea, por outro, suas próprias coleções apontam que, talvez, o próximo passo seja tensionar esse universo, por meio de novas narrativas, novas representações ou uma revisão dos próprios pilares estéticos que sustentam a marca.
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Escrito por: Júlia de Moura @julmbz | Editado por: Flavia Cavalcante


