Quando a América Latina vira tendência: cultura, estética e poder na moda brasileira
A estética brasileira, o famoso “Brazilian core” está em alta como nunca antes, vlogs sobre o ano novo no Rio de Janeiro e sobre os desfiles de Carnaval têm se popularizado no TikTok. O Brasil vem sendo um dos destinos de férias mais buscados por diversas pessoas ao redor do mundo, de acordo com a BBC News Brasil, “O Brasil encerrou 2025 batendo recorde no turismo internacional: quase 9,3 milhões de estrangeiros visitaram o país, um crescimento impressionante de 37,1% em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Turismo“. O estilo, ou melhor, o jeitinho brasileiro nunca esteve tão visível para o resto do mundo, porém, o que esse movimento diz sobre o comportamento do consumidor de hoje e como isso impacta o mercado e a indústria do país?

O interesse crescente pelo aesthetic brasileiro revela uma mudança importante no comportamento do consumidor global: a busca por experiências culturais autênticas e por estéticas associadas a estilos de vida específicos. As pessoas carecem de algo com significado, de experiências reais e de criar memórias duradouras. Em meio a um cotidiano marcado pela hiperconectividade e pela lógica da instantaneidade digital, cresce o desejo por vivências com significado, momentos capazes de romper a superficialidade do cotidiano acelerado. Viajar, conhecer novos lugares e entrar em contato com diferentes culturas passam, assim, a representar não apenas lazer, mas também uma forma de construir memórias duradouras e estabelecer conexões mais profundas com o mundo.
Produtos significativos e presentes da cultura brasileira estão ganhando grande notoriedade no exterior, um exemplo dessa questão são as marcas Granado e Havaianas. Duas marcas consolidadas e com uma longa trajetória no território nacional, que, por conta de diversos fatores internos, como branding e posicionamento de marca, conseguiram fidelizar consumidores ao redor do mundo e aumentar seu público. Com o auxílio da globalização (flexibilização dos meios informacionais, hoje, fica mais fácil de termos acesso a avaliações de variados tipos de produtos), essas marcas tornaram-se mundialmente conhecidas e desejadas. A questão central é até que ponto isso é um fortalecimento da cultura nacional ou apenas uma estratégia de mercadoria que vende e reforça os mesmos estereótipos de um país tão vasto e rico culturalmente?
O Brasil tem se inserido cada vez mais no cenário da moda e no mercado internacional, o que, por consequência, auxilia a indústria nacional. Campanhas publicitárias como a collab da GiGi Hadid com a Havaianas em 2025 ou a Perfumaria de nicho da Granado em Paris, Londres, Nova York e Portugal são exemplos concretos de como as marcas têm investido na internacionalização de seus produtos. Segundo Sissi Freeman, Diretora da Granado, “Sem a internacionalização, a Granado não estaria em tanto destaque na perfumaria”. Elementos presentes na cultura latina, além dos já citados, deixaram de ser vistos como inferiores e até marginalizados, agora possuem uma nova roupagem: a da tendência, é a nossa vez de estar no centro das atenções.


É perceptível o quanto esse movimento é importante para o país e para nós, brasileiros. Porém, também é válido e necessário pontuar que tudo gira em torno da economia e, apesar disso, está sendo o começo de um poderoso soft power (influência cultural, ideológica e de valores do Brasil no mundo, manifestada através de sua rica cultura, que atrai e seduz sem o uso da força, e de sua imagem de um país diverso, criativo e acolhedor, com potencial para gerar impacto econômico e político), é preciso lembrar que ainda há muitas coisas a serem requisitadas e valorizadas sobre o nosso território. Existe uma imensidão de culturas, histórias, criações para serem reivindicadas, vivemos em um local com um contexto extremamente vasto culturalmente. Tem sido aclamada e perpetuada apenas uma parte do que é ser brasileiro: um contexto, um jeito, uma região específica, sendo que existem outras regiões e com outros jeitos de criar, falar e pensar.
Vivemos em um país rico, cada particularidade regional é um caminho para criar novas coisas, de oportunidades até algo material. E o mundo merece ver isso, não apenas uma parcela que supostamente seria o Brasil, mas sim, ele em sua totalidade, a individualidade de cada local existente é o que faz o Brasil ser quem ele é.

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Escrito por Yasmim Azevedo I Editado por Ana Carolina Gomes


