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O monstro sedutor da temporada de Di Petsa na LFW 26

Se na mitologia grega, Medusa é temida, na passarela, ela é desejada. Ao menos é isso que nos diz a coleção Outono/Inverno 2026 de Di Petsa.


Foto: Reprodução / Vogue Runway

Na última Semana de Moda de Londres, a designer Dimitra Petsa, propôs um olhar mais ousado do mito grego. Agora, em vez de ser petrificado, quem olha para Medusa se torna seu amante e, capturado pelo desejo, joga um jogo de sedução.

Intitulada Medusa’s Lover, a coleção explora temas de poder, erotismo e renascimento, reimaginando a deusa não como monstro, mas como musa. As serpentes características aparecem em detalhes sutis: tatuagens de cobra impressas na pele das modelos, texturas que evocam escamas gravadas nos tecidos e uma paleta mais escura e perigosa do que em temporadas anteriores. Pretos pontuados por metais, ferragens e saltos cobertos de spikes; um guarda-roupa pensado para a femme fatale contemporânea, segundo a própria Petsa, que afirmou vestir uma mulher que deseja sentir-se intocável, dominante e perigosa.


Foto: Reprodução / Vogue Runway

Todas as faces da deusa

A coleção amplia o imaginário da Medusa contemporânea, que além de poderosa é plural. A deusa aqui é um arquétipo multiplicado em corpos diversos, todos carregando o poder de seduzir e dominar o olhar.


Foto: Reprodução / Vogue Runway

A designer desloca o eixo narrativo do mito, onde o terror torna-se luxúria e vai além, pois não só Medusa é um arquétipo do desejo, como também, todo o seu corpo. Amar Medusa é um gesto político, uma forma de evocar aquilo que, historicamente, foi transformado em ameaça: o corpo feminino.

A maldição da Medusa agora é ser sexy

O jogo de sedução aparece sobretudo nos tecidos. O wet-look, assinatura da marca, cria a ilusão de pele molhada, remetendo a fluidos corporais e ao imaginário de estátuas gregas. Rendas e tules transparentes criam um revezamento entre o oculto e o revelado, convidando o olhar a desejar, mas nunca a possuir completamente. 


Foto: Reprodução / Vogue Runway

Os recortes estratégicos, a ênfase nos seios, quadris e ventre sugerem que o verdadeiro poder de Medusa não é matar com o olhar, mas fazer com que olhemos, e, assim, nos apaixonamos.


Foto: Reprodução / Vogue Runway

Na passarela, apaixonar-se por Medusa significa apaixonar-se pelo feminino indomável. É uma fantasia onde o espectador não foge do monstro: ele o ama.

E você Fashionlista, o que mais amou nessa coleção? para ficar por dentro das novidades sobre conteúdos do mundo da moda, não deixe de acompanhar o Fashionlismo!  

Escrito por: Júlia de Moura @julmbz Editado por Ana Carolina Gomes