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Gucci FW26 de Demna é provocante, mas, em crise, não sacia

Como toda e qualquer coleção assinada por Demna, a FW26 da Gucci “Primavera” deu o que falar na Semana de Moda de Milão. O desfile de estreia do diretor criativo na maison sucede um período de grande expectativa, após sucesso da primeira coleção, “La Famiglia”, lançada por meio do fashion film “The Tiger”. Contudo, apesar de ter sido uma das passarelas mais comentadas da MFW e de sua narrativa fascinante, não faltaram críticas ao resultado final.

Reprodução: Instagram /@gucci

O saudosismo de Tom Ford e o “heroin chic” na Gucci FW26

Nesta coleção, o objetivo de um renascimento da Gucci, após um período de crise financeira que já se estende há anos, se confunde com um regresso à estética de Tom Ford dos anos 90′.

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Sendo assim, as referências à assinatura de Ford são claras desde as escolhas para o cenário, com a passarela delimitada pelo feixe de luz clássico dos desfiles do estilista na era de ouro da maison.

O ambiente ostenta, com grandes esculturas elevadas nas laterais. Ela simula a vibe noturna “fim de after”, que exala sensualidade, cheira à fumaça e tem cara de problema. Assim, o tom do desfile é dado: ele é sexy, provocante e, (in)felizmente, problemático.

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É claro que os fãs da Gucci ansiavam a anos por uma Gucci que se assemelhe à de Tom Ford. Nesse sentido, esse saudosismo é natural quando a marca enfrenta uma crise financeira tão duradoura quanto essa. Contudo, a chegada de Demna anunciava novidade, uma nova Gucci, mas isso não aconteceu.

O que o público recebeu foi um retake da silhueta Tom Ford que, apesar de possuir uma premissa interessante e ser divertida de assistir, não promete sucesso de vendas. No fim das contas, o desfile aposta todas as suas fichas na sensualidade, mas perde de vista a elegância e refinamento da consumidora da Gucci.

Reprodução: Instagram /@gucci

Quando a usabilidade do ready-to-wear se confunde com simplicidade em demasia

A coleção notavelmente se destina a dois consumidores muito diferentes. Alguns opinam que a intenção de Demna era fazer uma espécie de caricatura dos “novos ricos” e dos adeptos da logomania. Outros acreditam ser uma tentativa de agradar dois públicos distintos.

Na realidade, o que isso gerou foi uma coleção confusa. Pois, ao mesmo tempo que traz uma narrativa interessante e resgata a tão amada estética heroin chic e seus personagens — como Kate Moss –, também produz peças comuns, com tecidos que parecem baratos e nada surpreendentes.

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Nesse caso, o que realmente preocupa, não é a qualidade do desfile, mas sim como será a performance da coleção nas prateleira. Até mesmo porque é difícil convencer até o maior fã da maison à pagar centenas de euros em um par de leggings.

Os destaques da Gucci FW26

  • As peças de arquivo revisitadas não foram um completo fracasso, afinal, os florais estavam divinos;
  • Os vestidos longos foram, em geral, os mais interessantes, juntamente aos conjuntos de alfaiataria;
Reprodução: Instagram /@gucci
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  • Os casacos de pelo, apesar de seguros, acrescentaram à estética e trouxeram robustez ao visual;
  • As bolsas (essas sim!) serão sucesso — o mesmo já não se pode dizer sobre os sapatos…;
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  • O grand finale com a estrela Kate Moss encerrando o desfile de costas nuas e com a icônica fio dental de Tom Ford aparente — após alguns tropeços na passarela, sua presença foi, certamente, um alivio;

Fotos: reprodução /@gucci

A beleza do “heroin chic”

Uma tendência geral para essa temporada de outono/inverno é o visual de maquiagem vencida de final de balada. Por isso, o olho preto esfumado reina, a pela soft matte é essencial e os lábios transitam entre o nude e o vermelho vivo.

Contudo, diferentemente da FW26 da Prada, por exemplo, o cabelo é um pouco mais polido, afinal, exige-se mais esforço para sair numa sexta à noite.

Fotos: reprodução /@gucci

FW26: uma coleção entre o amor e o ódio

No fim das contas, a coleção dividiu opiniões pela internet. A verdade é que não se trata de enxergar a moda como apenas roupas, mas como arte, conceito, intenção e manifesto. Contudo, uma maison como a Gucci, principalmente em meio à crise financeira do grupo Kering, não pode depender apenas de abstrações, afinal, o consumidor médio raramente assiste a um desfile completo.

Por isso, uma reflexão mais complexa que se faz necessária é: quando se retira o conceito da avaliação, essa coleção continua genial no mercado de luxo? Bom, a resposta pode ser subjetiva e relativa, mas, infelizmente, o que define o sucesso de uma coleção é o seu desempenho nas vitrines, e simples conjuntos de regata com legging não salvam uma label do declínio.

Fotos: reprodução /@gucci

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Escrito por Carolina Braz I Editado por Ana Carolina Gomes

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