Bianca Mei fala de carreira, repertório criativo e compartilha dicas para crescer na moda
Bianca Mei é formada em Design de Moda pela FMU e possui MBA em Marketing, construindo uma trajetória que conecta criatividade e estratégia. Com experiência na área de estilo e planejamento de produto, ela atua atualmente como Assistente de Estilo na Calvin Klein, acompanhando de perto o desenvolvimento de coleções, provas e a criação de fichas técnicas.
Inserida no mercado e em constante contato com os bastidores da moda, Bianca desenvolveu um olhar que vai além da estética – entendendo também os processos, as decisões e os ajustes que fazem uma coleção acontecer na prática.

Além da atuação profissional, ela também marca presença no digital, onde compartilha sua trajetória acadêmica e experiências no mercado, acumulando milhares de seguidores interessados em entender mais sobre os caminhos possíveis dentro da moda.
Entre rotina, demandas do mercado e produção de conteúdo, Bianca constrói um discurso alinhado com a realidade da profissão, sem romantização, mas com consistência.
Na entrevista a seguir, Bianca conversou com nós do Fashionlismo sobre carreira, processo criativo, mercado e os aprendizados que vêm surgindo ao longo da sua trajetória! Confira:
1) O que te motivou a seguir carreira na moda e fazer faculdade na área?
Sempre fui muito ligada à estética e comunicação, então a moda veio como uma forma de expressar isso. Fazer faculdade na área foi um passo natural pra transformar esse interesse em algo profissional e mais estratégico.
2) Como você equilibra o seu trabalho profissional com a produção de conteúdo como blogueira?
Eu tento integrar os dois ao invés de separar. Muito do meu trabalho vira conteúdo e vice-versa. Organização ajuda, mas também entender que nem tudo precisa ser perfeito o tempo todo.
3) Quais hábitos você acha essenciais para quem quer ter sucesso na moda?
Consistência, repertório e curiosidade. Estar sempre observando, estudando e testando coisas novas. E também ter disciplina, porque criatividade sem execução não sustenta nada.
4) Com tudo acontecendo tão rápido hoje, como criar algo que não fique datado em pouco tempo?
Acho que o segredo é ter conceito e não só seguir tendência. Quando você cria com base em uma ideia forte, aquilo tende a durar mais do que algo feito só pra surfar no momento.
5) Depois de finalizar um projeto importante, como você consegue descansar a mente e começar outro?
Eu tento me desconectar um pouco, fazer coisas fora desse universo. Às vezes só parar já ajuda, mas também buscar referências diferentes recarrega e já abre espaço pro próximo projeto.
6) O que você acha que os novos designers ainda não estão desenvolvendo o suficiente?
Vejo que muitos ainda focam só na estética e pouco no posicionamento e na narrativa. Falta aprofundar mais o “porquê” das criações, não só o ”como”.
7) Como você vê o mercado da moda e do marketing daqui 10 anos?
Acho que vai ser cada vez mais integrado, com moda e marketing andando juntos o tempo todo. Quem souber se comunicar bem e construir marca própria vai sair na frente.
8) Como você constrói repertório criativo no dia a dia? isso vem mais de pesquisa ou de vivência?
Eu construo muito meu repertório no dia a dia, observando tudo: pessoas, rua, comportamento, redes. Claro que pesquisa ajuda, mas a vivência traz mais autenticidade e referência real. Acho que é um mix dos dois, mas o olhar atento faz toda diferença.
9) Em um mercado onde tudo é muito visual hoje, o que faz uma coleção realmente se destacar e não ser só “mais uma” bem feita?
Pra mim, o que destaca é conceito e identidade. Não adianta ser só bonito ou bem executado, tem que ter história, intenção e uma estética reconhecível. Quando você bate o olho e sabe de quem é, aí sim marca.
10) Existe alguma tendência atual que você acha que está sendo superestimada ou mal interpretada?
Acho que algumas tendências ficam super superficiais, tipo estética “core” que muda toda semana. Muita gente replica sem entender o contexto ou conceito por trás, e isso acaba esvaziando a ideia original.
11) O que, pra você, faz uma coleção ser realmente memorável?
Uma coleção memorável é aquela que gera sentimento. Pode ser pela narrativa, pelo styling ou até pela ousadia. Quando ela provoca algo e não só agrada visualmente, ela fica na cabeça.
12) Que conselho você daria para quem quer crescer nas redes sociais falando de moda?
Eu diria pra ter consistência e verdade. Não adianta só seguir trend, tem que construir uma identidade. Mostrar processo, opinião e bastidores aproxima muito mais do que só resultado final perfeito.
13) Como você lida com a pressão de sempre precisar ser criativa e relevante no que faz?
Eu tento não me cobrar o tempo todo. Criatividade também precisa de pausa, de viver outras coisas. Quando você sai um pouco da pressão, as ideias voltam mais naturais e até melhores.
14) O que tem sido mais difícil de aprender na prática que a faculdade não ensinou?
Acho que lidar com o mercado real: prazos, feedbacks, adaptação constante. A faculdade prepara muito o criativo, mas não tanto essa parte mais prática e dinâmica do dia a dia.
15) Qual foi o maior aprendizado que você teve até agora trabalhando diretamente no mercado de moda?
Que nem sempre o que você idealiza vai ser exatamente o que vai pro mundo, e tudo bem. Aprendi muito sobre adaptação, trabalho em equipe e principalmente sobre ouvir – isso faz toda diferença no resultado final.

Bianca mostra que construir uma carreira na moda vai muito além da estética: envolve consistência, repertório e, principalmente, a intenção por trás de cada escolha. Ao longo da conversa, fica claro que não existe uma fórmula pronta, mas sim um processo em construção, e é justamente nele que a moda ganha força, significado e continuidade.
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Escrito por Victória Parente I Editado por Ana Carolina Gomes


