Fantasia de carnaval com brilhos dourados.
Tendências

Carnaval e inclusão: a luta por fantasias acessíveis

O Carnaval de 2026 trouxe à tona um debate essencial para a moda inclusiva: como unir o desejo de celebrar com a necessidade de roupas funcionais? Para pessoas com deficiência (PcD), a escolha do look vai muito além da estética, envolvendo questões de segurança e bem-estar físico.

Por isso, conversei com Maria Paula e Ana Paula, foliãs que frequentam blocos de rua e eventos privados, para entender como a falta de acessibilidade no vestuário ainda segrega corpos no período festivo.

Ambas as entrevistadas são unânimes ao afirmar que a oferta de fantasias adaptadas no mercado brasileiro é quase zero. Elas relatam que o uso de peças convencionais, como saias de tule ou roupas com paetês, causa sérios desconfortos e até ferimentos na pele para quem passa longos períodos sentada em uma cadeira de rodas. “É super desconfortável usar saias que levantam sem ter como arrumar ou adereços que machucam por causa da posição“, aponta Ana.

A ausência de marcas que olhem para esse público reflete um problema maior de exclusão. Segundo Maria e Ana, a falta de acessibilidade física nos espaços faz com que muitas pessoas com deficiência desistam de frequentar a folia ou sequer recebam convites de amigos.

Sem opções nas lojas, a solução encontrada pelas entrevistadas é a customização. “Se não encontramos uma roupa acessível, o que resta é customizar a própria cadeira e os adereços”, elas são unânimes na decisão: é melhor customizar do que tentar encontrar algo adaptado. Afinal, as chances de achar são praticamente zero. Maria conta que já deixou de usar diversas fantasias por falta de adaptação.

A ausência de marcas que olhem para esse público reflete um problema maior de exclusão. (Foto: Reprodução/@maaria_vieira)

A falta de acessibilidade no Carnaval em todo o Brasil já é algo esperado. As entrevistadas sequer têm algum carnaval 100% acessível para indicar; relatam, inclusive, que deixaram de frequentar por medo da segurança e por não saberem o que fariam em uma emergência. E a falta de acessibilidade não se limita apenas ao aspecto físico: há também zero acessibilidade nas fantasias.

Para quem deseja estrear no Carnaval de 2027 com autonomia e estilo, as criadoras de conteúdo Maria Vieira (@maaria_vieira) e o perfil Londrina Acessível (@londrinaacessivel) são referências. Elas compartilham dicas de como transformar acessórios e adaptar roupas para que a única preocupação do folião seja aproveitar a festa.

Escrito por Luana Rose I Editado por Giovana Sedano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *