Karoline Vitto apresenta nova coleção na London Fashion Week 2026 e reafirma a potência do body-positive na passarela
A brasileira Karoline Vitto apresentou sua nova coleção no dia 21 de fevereiro de 2026, durante a London Fashion Week Fall/Winter 2026. Radicada em Londres e formada pela Central Saint Martins, a designer reafirma seu posicionamento como um dos nomes mais relevantes da moda contemporânea quando o assunto é inclusão de corpos e sensualidade estrutural.

Estrutura, pele e precisão
A coleção reforça o vocabulário já reconhecível da designer: recortes estratégicos, painéis de tecido tensionados por ferragens metálicas e modelagens que valorizam curvas em vez de tentar escondê-las.
Há um jogo constante entre sustentação e exposição. As peças revelam pele, mas com intenção arquitetônica. Nada é gratuito. Os vestidos ajustados ao corpo, saias com cortes assimétricos e tops estruturados demonstram domínio técnico, especialmente na forma como o tecido se adapta às proporções reais dos corpos apresentados na passarela.
A cartela de cores permanece sóbria, com predominância de preto, branco e tons terrosos, permitindo que a construção das peças seja o verdadeiro foco.



Corpo como centro – não como exceção
O maior diferencial do desfile não está apenas nas roupas, mas no casting. Modelos com diferentes tamanhos e proporções ocuparam a passarela com segurança e protagonismo.
Ao contrário do que ainda se vê em muitas semanas de moda, aqui o corpo diverso não aparece como gesto pontual ou estratégia de marketing. Ele é parte essencial do projeto criativo.
Karoline Vitto trabalha a sensualidade de forma direta, mas sem caricatura. As silhuetas justas e as aberturas estratégicas não suavizam a presença do corpo; pelo contrário, celebram sua forma natural.

Um posicionamento consolidado na London Fashion Week
Em um cenário onde o discurso de inclusão muitas vezes permanece superficial, o trabalho de Karoline Vitto se destaca pela coerência. A estilista não altera sua proposta para se adequar ao calendário internacional, ela leva sua narrativa para ele.
A London Fashion Week, historicamente aberta a novos discursos e experimentações, se mostra novamente terreno fértil para designers que operam entre conceito e impacto social.



Além da tendência
Se a moda vive ciclos de estética, o trabalho de Karoline Vitto aponta para algo mais estrutural. Sua presença contínua na London Fashion Week indica que a conversa sobre corpos não é uma tendência passageira, é uma reconfiguração de sistema.
Ao unir técnica apurada, sensualidade arquitetônica e casting coerente, Karoline Vitto constrói não apenas roupas, mas uma linguagem própria. Em uma indústria que ainda negocia seus próprios limites de inclusão, essa consistência é o que sustenta sua relevância e o que diferencia discurso de prática.
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Escrito por Samara Marques I Editado por Ana Carolina Gomes


