Entre O Riso E O Caos: Cynthia Mariah Arma Espetáculo De Moda e Deboche

No segundo dia da 56ª Casa de Criadores, Cynthia transformou a passarela em palco. Dividido em atos, cada momento do desfile era anunciado por um discurso que preparava o público para o bloco seguinte de modelos, todos perfeitamente alinhados à narrativa proposta. Dessa forma, o que se viu ali foi mais do que um desfile de moda; foi um espetáculo completo, onde roupa, performance e provocação caminhavam juntos.
Com maquiagens circenses, expressões exageradas e gestos teatrais, as modelos se afastavam do tradicional. Então, brincavam com o público, faziam caretas, encenavam. Algumas arriscaram acrobacias. Outras apenas riram. A passarela virou um espaço de interação, rompendo o protocolo do desfile sério e frio, e oferecendo algo vivo, engraçado e, ao mesmo tempo, desconcertante.



As roupas eram divertidas e ousadas, como uma verdadeira salada visual de estampas e texturas misturadas sem medo. Nada era óbvio. Assim, a estética era de um delírio controlado onde a desordem fazia sentido. Nada de silhuetas perfeitas ou poses duras. Aqui, o erro era charme. O excesso, estratégia. O exagero, linguagem.
Além disso, a apresentação teve participação da artista @patchaire, que costurou música ao vivo com a coleção, criando uma experiência sensorial entre som, imagem e movimento. A performance e a trilha pareciam vestir as roupas junto com as modelos, num clima que beirava o teatro experimental.
Entre o riso, o incômodo e o encantamento, Cynthia entregou uma coleção que desafia o padrão da indústria, debocha da rigidez e celebra o poder da imaginação. De fato, um desfile que deixa claro que fazer moda também é saber rir dela.

Escrito por: Gilson Tavares | Editado por: Flavia Cavalcante

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